Mensagem de Natal 2014

Estimados familiares, amig@s, entidade patronal e companheiros de trabalho,

Longe da inspiração de outros anos e, curiosamente, à semelhança do ano transacto, só no dia de consoada é que consegui encontrar a disponibilidade necessária para a redacção desta mensagem de Natal, que muito me orgulho de escrever e partilhar – mesmo que a sua relativa “qualidade” possa ser inferior à de outros anos.

Antes de vos endereçar quaisquer tipo de votos, permitam-me que faça o meu balanço deste ano.

Começo por dizer-vos que este ano foi de desafios, de provações, de excelentes momentos, mas também de algumas tristezas. Apesar disso, acredito que grande parte das opções foram conscientes e, mesmo acarretando as devidas consequências, creio que evoluí, de forma positiva, em múltiplos aspectos, no presente ano. Guardo, principalmente, junto do meu coração, o processo de procura do primeiro emprego – que, embora moroso, acabou por dar frutos , a minha formação de dirigente – que foi capaz de me dotar de mais ferramentas para o singelo contributo que posso/poderei dar aos escuteiros do 1215 Tavarede (e a tantos outros, se assim for necessário) –, o segundo Caminho de Santiago – com um grupo de Pessoas que, embora de idades e experiências de vida muito diferentes, conseguir tornar-se homogéneo e que em muito contribuiu para um necessário recuperar de energias, da minha parte –, os primeiros meses no local de trabalho – onde posso demonstrar o meu valor, como pessoa e profissional, e onde posso e quero evoluir, para o bem comum, para o bem maior – e, por fim (embora houvessem muitos outros momentos dignos de registo), o temporário afastamento de uma parte de mim – tanto a nível físico, como espiritual.

Indo, agora, ao encontro do verdadeiro protagonista (que sem o querer

ser o é – e ainda bem para todos nós): Jesus volta a nascer, de forma simbólica, nesta noite que se avizinha. Ele é, indubitavelmente, a razão pela qual escrevo esta mensagem, para a todos lembrar (a mim também), crentes ou não, que, de facto, Jesus de Nazaré nasceu, cresceu, morreu – mataram-no, em boa verdade – mas mais importante do que isso Ele ressuscitou.

Pode parecer estranho falar em Ressurreição no Natal, quando comemoramos o nascimento d’Ele, mas hoje transmitiram-me um ponto de vista que merece ser, na minha opinião, partilhado: “Só conseguimos compreender o Natal, se o olharmos com olhos de Páscoa” e “contemplando a essência do presépio” (confesso que fiquei muito pensativo ao ouvir estas palavras, mas fiquei, de certa forma, reconfortado e cheio de alegria por, de alguma forma, compreender o verdadeiro sentido por detrás deste pensamento. De facto, ao olhar o presépio, em silêncio, durante alguns minutos – note-se que existe uma grande importância no acto de contemplar e de tomar consciência da representação da realidade que está à nossa frente e que constitui um exercício complexo e que, se me permitem, vos sugiro que tentem fazer é fácil apercebermo-nos da humildade, da pobreza – mas grande riqueza –, da simplicidade com que Jesus se fez homem e que a todos enche os corações de alegria, de paz, de caridade)

Embora a nossa Fé seja sempre pequena e intermitente, creio que cada cristão se interroga, por vezes, da essência destas duas festividades – as principais da Igreja Católica.

No Natal comemoramos o nascimento do Salvador, aquele que, por mim e por ti, morreu na cruz, para a todos salvar, sem excepção. Não é fácil aceitar ou até compreender esta realidade (pelo menos, para mim), de qualquer modo, creio que só com disponibilidade física e mental é que podemos compreender os desígnios de Deus e a mensagem que o Seu filho nos deixou.

Na Páscoa comemoramos a morte e Ressurreição de Jesus, que nos dá a certeza de que, por muitas asneiras, vulgo pecados, que façamos, há sempre hipótese de nos reconciliarmos, de aderirmos ao amor e perdão de Deus, e ao

seu plano de felicidade que tem para todos nós.

Muitos se poderão questionar: então e a pobreza? A fome? As injustiças? Onde anda Deus na minha vida? Todas estas questões são válidas mas permitam-me, de uma forma simples mas que exige muito de cada um de nós dizer-vos o seguinte: Deus criou-nos livres e respeita essa nossa liberdade; Deus não impõe nada, embora sugira. Como sabeis, em todo o lado, em todo o mundo, existem pessoas com maldade, capazes de “não olhar aos meios para atingir os fins”; existe o mal que nasce dentro dos nossos corações e que se manifesta de muitas formas; existe a falta de humildade; existe o rancor, a sede de vingança, a necessidade de ignorar o próximo para que possa conquistar o meu bem-estarPor outro lado, se nós o permitirmos e, em certa forma, deixarmos que Deus entre na nossa vida, ao invocarmos e recebermos o Espírito Santo, nomeadamente através da reconciliação, começamos a olhar o mundo “como Ele o vê”, isto é, começamos a sentir paz, começamos a compreender a importância do perdão, do amor verdadeiro, do serviço, da partilha fraterna, da importância da oração.

Caríssimos, confesso-vos que sou um pecador consciente e persistente, longe do ideal de santidade, mas que, aos poucos, com Fé, vai sabendo entregar a sua vida, nos bons e maus momentos, Àquele que tudo pode, Àquele que hoje nasce, Àquele que tudo criou e cria, mas acima de tudo, Àquele que está sempre connosco, mesmo que não o vejamos, mesmo que não o sintamos, mesmo que não o compreendamos.

Saibamos acolher, como Ele o disse várias vezes, sem medo (c.f. Mt 14, 27) nos nossos corações, na nossa vida, no nosso trabalho, o nosso Amigo e Senhor Jesus, conscientes de que, embora tenhamos de carregar a nossa cruz, isto é, viver a vida com tudo o que ela abarca, desde as vicissitudes aos momentos que ficam gravados na nossa alma e no nosso coração. Saibamos, também, compadecer-nos dos que sofrem, procurar tomar consciência da nossa fragilidade e da nossa condição humana, acreditar que Jesus veio para a todos salvar, não só nesta altura festiva, mas durante todos os dias do ano,

durante a nossa efémera passagem por aqui (que espero que dure longos anos).

Assim, desejo a todos vós um Natal vivido na humildade, junto de todos aqueles que são especiais, sejam eles familiares, cônjuges, amig@s ou conhecidos, lembrando que é por Ele que nos reunimos, mesmo que imperem os bons valores, que certamente nos foram transmitidos pelas nossas famílias e, possivelmente, pelo processo educativo do qual somos alvo. Espero, do fundo do meu coração, que o vosso Natal seja celebrado com os olhos e coração em Jesus, e creio que se assim o fizerdes ireis ganhar em felicidade, em paz e em capacidade de perdoar e em amor verdadeiro – aquele amor que Ele(s) têm por nós.

Por fim, em jeito de conclusão, endereço-vos, também, votos de um excelente 2015, com estabilidade ao nível pessoal, laboral, familiar ou outro(s), por forma a que, conscientes do que nos rodeia e com Fé, saibamos viver e não sobreviver, em tempos que podem continuar difíceis, mas nos quais não estamos, certamente, sozinhos.

Que Deus vos abençoe a todos e vos permita abraçar e ver em Cristo o ideal de Homem-Novo a seguir e a imitar.

Do vosso,
Saul Vitorino

Data de Escrita: 24/12/2014

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