Até já

Até já

Parto. Parto com o destino traçado, porém de coração algo apertado – embora tenha a noção de que ainda estou, em parte, demasiado à vontade com toda esta aventura.

Sei que muitos vão ser apanhados de surpresa, outros nem tanto. A realidade é que esta decisão já estava tomada desde Setembro, mas andei a encontrar motivos para a adiar – ao fazer uma introspecção é a conclusão à qual chego – durante algum tempo e em virtude da coerência entre pensamentos e acções que sempre defendi, tanto ao nível pessoal, como profissional.

Apesar disto, a necessidade de me colocar à prova em tão grande desafio e a curiosidade que tenho vindo a desenvolver, há alguns anos, foi-se tornando cada vez mais forte e difícil de controlar/ignorar. Esta decisão, porém, não foi tomada de ânimo leve – embora o possa aparentar.

No país ficam família, amigos, colegas de profissão, conhecidos, o Agrupamento de Escuteiros que me formou e tanto ajudou a crescer, a(s) paróquia(s) à(s) qual(ais) pertenço e fui pertencendo…Creio que é preciso ter bastante força de vontade para dar um passo assim. Confesso que, até há pouco tempo, não me sentia munido de tal força, de tal disponibilidade mental. No entanto, há medida que “foi chegando a hora” de ponderar e analisar a minha vida, compreendi que esta será (espero-o de todo o coração) a opção adequada para o meu futuro pessoal e profissional.

Não vou discutir se esta situação é justa – leia-se a emigração, no geral, tendo em conta o actual estado da nação -, se é ingrata para os que ficam e para os que vão, se é mais uma prova de que Deus não existe ou mesmo se é uma “sacanice de todo o tamanho”. O que vos posso dizer é que muitos, antes e depois de mim, irão dar passos semelhantes a este, seja em busca da felicidade, em geral, ou mesmo com outro qualquer objectivo de vida pessoal ou profissional.

Há cerca de três anos foi-me transmitida a seguinte ideia: “Não tenhas medo. Por vezes, confiar em Deus, é como estar à beira do precipício e atirares-te, na certeza de que, mesmo que não o vejas, Ele estará lá para te agarrar”. Honestamente, volvido todo este tempo, cada vez mais olho para esta ideia, da necessidade que tenho de confiar n’Ele. Sim, estou perante um desses momentos, um momento em que estou a depositar toda a minha confiança em Alguém que não vejo, que por vezes nem sinto, mas que sei que está comigo; sim, estou a fazer um acto (verdadeiro?) de Fé, consciente do que esse mesmo acto acarreta. Mas sabem o que é mais curioso? Estou em paz, ou melhor dizendo, vou em paz.

Permitam-me, antes de terminar, agradecer a todos os que apoiaram, questionaram, reprovaram e duvidaram desta decisão. Obrigado pelas palavras amigas, pelos momentos de convívio, pelas lágrimas, pela vossa presença na minha vida.

Em suma, e como diz a sabedoria popular portuguesa: “vou ali e já venho!” (o que vale é que agora há Skype, Facebook Chat, Viber, Whatsapp e tantas outras aplicações e plataformas que permitem que estejamos mais perto uns dos outros – mesmo que, na realidade, não passe de uma boa ilusão. E não esqueçamos que a vida só faz sentido quando é vivida na sua plenitude, de cabeça erguida e coração ao Alto.

Um abraço apertado a todos os que ficam,
Saul Vitorino

Este texto começou a ser redigido no Aeroporto Sá Carneiro e foi terminado durante a viagem até Londres.

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