Longe, mas perto – um Natal diferente

Longe, mas perto – um Natal diferente

Caros amigos, familiares, conhecidos e demais (possíveis) leitores,

Diz a sabedoria popular que “não há duas sem três” e esta expressão aplica-se, tal qual luva, a esta mensagem de Natal que, à semelhança dos dois últimos anos, apenas é redigida na véspera deste dia tão importante para qualquer um de nós, mas em especial para os católicos – o dia de Natal. Não quero, porém, transmitir-vos a ideia de que estou a descriminar quem quer que seja, nem tão pouco afirmar que só esta religião é que importa, no entanto falo-vos da minha experiência e da religião que escolhi professar.

Sem mais demoras, passarei ao balanço anual que, como sabem, costumo anexar às palavras que vos dirijo, há alguns anos a esta parte.

Começo por referir que 2015 foi, novamente, um ano bastante rico ao nível de experiências profissionais, mas especialmente das pessoais, uma vez que tive consegui “agarrar” algumas oportunidades para renovar a minha Fé, em Cristo Jesus, que irá, dentro de poucas horas, (re)nascer – sim, eu sei que isto acontece, apenas, de forma simbólica e estou consciente que podem existir incoerências na data em que celebramos o nascimento de Jesus. Uma vez mais, tive a oportunidade de fazer um dos trechos finais d’O Caminho de Santiago, com um grupo de irmãos na Fé, que, com a sua experiência de vida, em muito me enriqueceram, como também tive a oportunidade de ir um pouco mais além até ao cabo de Finisterra, onde, durante a jornada, conheci várias pessoas extremamente especiais e que se tornaram, desde então, amigos que levo comigo para a vida – alusão à conhecida Balada da Despedida do V ano jurídico – e que me mostraram, uma vez mais, que por muito difícil que seja determinada etapa, há Alguém que olha por nós, em todos os momentos.

Outro dos momentos marcantes foi, sem dúvida, o Curso de Cristandade, experiência recente e que, uma vez mais, em momento bastante oportuno, reforçou a importância de Cristo, da sua mensagem e da Sua igreja, na minha vida – aproveito para deixar o repto aos que ainda não tiveram oportunidade de o fazer para que, sem medo algum, tenham a devida coragem para arriscar participar neste movimento que a Igreja coloca ao nosso dispor. Creio que não saíreis defraudados.

Existem alturas na nossa vida nas quais sentimos necessidade de algo mais, necessidade de nos desafiar e de sair da nossa zona de conforto. Foi isso que decidi fazer, recentemente, ao sair do meu trabalho, do meu país, aumentando assim a distância face à minha família, aos meus amigos, aos escuteiros…Já o disse e torno a dizê-lo: foi um acto de Fé! Não tenho outra forma de o explicar e, honestamente, só esta me basta.

Este vai ser o primeiro Natal longe de muitas pessoas que me são queridas, mas perto de uma Pessoa igualmente querida e especial; este vai ser o primeiro Natal em que não irei cear com a minha família mais próxima, como é o caso dos meus pais, irmã e avós Luz e Carlos; este vai ser o primeiro Natal que passo num país diferente do meu, com uma cultura e costumes um pouco diferentes daqueles aos quais estou habituado…Apesar de tudo isto, apesar de alguma dor e tristeza que queiram tomar posse do meu ser, há uma alegria muito maior que está presente – aliás duas – a primeira é que vim lutar por algo melhor, não só para mim e por mim, mas por aqueles que trago comigo no peito; a segunda é que o nascimento do meu Salvador, do nosso Salvador, está próximo e isso, meus caros, suplanta a maior das tristezas.

Feito o balanço, já é mais que tempo de me direccionar para Quem é a Estrela destes dias – Jesus Cristo.

Respeito, repito, respeito as tuas crenças, a tua Fé (ou ausência da mesma derivada das mais diversificadas situações), porém peço-te que sejas coerente (algo que é extremamente difícil de fazer e ao qual eu falho redonda e diariamente) contigo, com os outros, na tua vida, pois se o formos ou se, pelo menos, tivermos o desejo de o ser, creio que podemos fazer pequenas (grandes) coisas e, quiçá, fazer a diferença.

Se é algo fácil? Talvez, mas regra geral é sempre algo complicado…Colocarmo-nos ao serviço é desconcertante, inquieta-nos, mas todos sabemos o quão reconfortante e necessário é que o façamos. Se iremos tropeçar enquanto o tentamos fazer? Certamente e, em muitas ocasiões, iremos desmoralizar, roçar o chão, (erradamente) pensar que não é uma missão que está ao nosso alcance. Uma coisa vos garanto “…se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há-de passar; e nada vos será impossível. (c.f Mt 17, 20) “ e, acreditem, que até para ter Fé temos de contar com Jesus, com Deus, com o Espírito Santo.

Neste Natal (não só, mas também e de forma mais atenta) confia a Deus a tua vida, fala com Ele, sê seu amigo, pois “(…) tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis. (c.f. Mt 21, 22)” e não são precisas grandes palavras e grandes argumentos porque Ele bem sabe aquilo que precisamos. Recordem-se, porém, que o Seu tempo não é o nosso e isto, meus caros, nem sempre é fácil de aceitar, muito por causa da nossa condição humana.

Que neste Natal, o Senhor Jesus vos conceda todo um vasto conjunto de dons e graças, que vos inspirem a serem pessoas melhores, mais disponíveis, mais felizes, mais completas, mais realizadas; que neste Natal, o Espírito Santo vos ilumine e seja sempre uma Luz na qual podem (e devem) confiar e segundo a qual orientem a vossa vida; que neste Natal, a Virgem Maria, nossa Mãe, nos ensine a sermos humildes e a termos consciência da nossa fragilidade; que neste Natal, Deus, nosso Pai, nos infunda com o Seu infinito amor, se compadeça de nós e nos perdoe sempre as nossas falhas.

São estes os meus votos nesta época tão especial e marcante, na esperança de que se estendam por todo o 2016 que está “já aí”.

Jovens, termino, este ano, de forma diferente, deixando-vos um vídeo(1) feito por um amigo que, em tudo resume o que nunca nos devemos esquecer – é que, quando O colocamos nas nossas vidas, melhor dizendo, quando O colocamos no centro das nossas vidas, com humildade, coração contrito e disponível para O seu amor, se estivermos atentos, a nossa vida ganha um novo perfume, arrisco-me a dizer, inclusivamente, que a nossa vida ganha vida.

Do vosso,
Saul Vitorino

Data de escrita: 24/12/2015

(1) Vídeo de Natal

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