Atípicamente Natal…

“Caros amigos, familiares, conhecidos e demais (possíveis) leitores,” – foi esta a fórmula inicial da minha mensagem do ano transacto e que, por considerar ser a mais ampla e apropriada, a parafraseio no início deste apontamento natalício, que costumo partilhar convosco.

Chegado o dia 24 de Dezembro, chega também a hora do balanço do ano e, por consequência, da reflexão natalícia.

2016 foi um ano que ceifou – penso ser este o vocábulo mais adequado – numerosas de vidas, imensos sonhos; foi um ano de imensas provações, pessoais e profissionais; foi um ano em que a grande maioria das situações e circunstâncias pareceram conspirar contra mim/contra nós e em que a nossa resiliência foi, constantemente, testada ao limite. Com perdas e feridas, vacilando constantemente, chegámos até aqui, com o desejo de que este, em muitos aspectos, trágico ano chegue, de uma vez por todas, ao fim.

Porém, houve momentos de esperança, momentos de sucesso, momentos de triunfo e de Fé que, embora não suplantassem a dor e mágoa, em muito contribuíram para ultrapassar os obstáculos que, teimosamente, se iam sucedendo;

Caríssimos, apesar de tudo, creio em Deus Pai, na Virgem Santa Maria, no seu Filho Jesus e no Espírito Santo; creio que, apesar de todas as adversidades, somos capazes de triunfar, diariamente, se soubermos colocar os nossos corações ao Alto; creio que, se estivermos dispostos a oferecer todos estes sacrifícios, seja através das nossas acções no trabalho, mas também fora dele, iremos conseguir crescer na Fé, na Esperança, na Caridade.

Que a Santíssima Trindade a todos abençoe e fortaleça na Fé.

Manifesto o profundo desejo de que, Jesus Cristo, habite, para sempre, nos nossos corações e nos faça (re)nascer com Ele e como Ele. Não nos esqueçamos que o Seu tempo não é o nosso; não nos esqueçamos que Jesus veio ao mundo para nos resgatar das trevas; não nos esqueçamos que o Seu Perdão, Misericórdia, Amor e são infinitos.

Muito haveria para dizer, porém, o essencial fica aqui registado…Este ano, mesmo com um elemento (fisicamente) a menos, à mesa, sinto que 2017 será o ano que 2016 não foi.

Que este 2017 seja sinónimo de princípios, de novos desafios, de momentos recheados de amor, paz, boa disposição, mas acima de tudo, d’Aqueles e com Aqueles que são, arriscaria dizer, essenciais para todos nós.

Do vosso,

Saul Vitorino

 

Data de escrita: 24/12/2016

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Longe, mas perto – um Natal diferente

Longe, mas perto – um Natal diferente

Caros amigos, familiares, conhecidos e demais (possíveis) leitores,

Diz a sabedoria popular que “não há duas sem três” e esta expressão aplica-se, tal qual luva, a esta mensagem de Natal que, à semelhança dos dois últimos anos, apenas é redigida na véspera deste dia tão importante para qualquer um de nós, mas em especial para os católicos – o dia de Natal. Não quero, porém, transmitir-vos a ideia de que estou a descriminar quem quer que seja, nem tão pouco afirmar que só esta religião é que importa, no entanto falo-vos da minha experiência e da religião que escolhi professar.

Sem mais demoras, passarei ao balanço anual que, como sabem, costumo anexar às palavras que vos dirijo, há alguns anos a esta parte.

Começo por referir que 2015 foi, novamente, um ano bastante rico ao nível de experiências profissionais, mas especialmente das pessoais, uma vez que tive consegui “agarrar” algumas oportunidades para renovar a minha Fé, em Cristo Jesus, que irá, dentro de poucas horas, (re)nascer – sim, eu sei que isto acontece, apenas, de forma simbólica e estou consciente que podem existir incoerências na data em que celebramos o nascimento de Jesus. Uma vez mais, tive a oportunidade de fazer um dos trechos finais d’O Caminho de Santiago, com um grupo de irmãos na Fé, que, com a sua experiência de vida, em muito me enriqueceram, como também tive a oportunidade de ir um pouco mais além até ao cabo de Finisterra, onde, durante a jornada, conheci várias pessoas extremamente especiais e que se tornaram, desde então, amigos que levo comigo para a vida – alusão à conhecida Balada da Despedida do V ano jurídico – e que me mostraram, uma vez mais, que por muito difícil que seja determinada etapa, há Alguém que olha por nós, em todos os momentos.

Outro dos momentos marcantes foi, sem dúvida, o Curso de Cristandade, experiência recente e que, uma vez mais, em momento bastante oportuno, reforçou a importância de Cristo, da sua mensagem e da Sua igreja, na minha vida – aproveito para deixar o repto aos que ainda não tiveram oportunidade de o fazer para que, sem medo algum, tenham a devida coragem para arriscar participar neste movimento que a Igreja coloca ao nosso dispor. Creio que não saíreis defraudados.

Existem alturas na nossa vida nas quais sentimos necessidade de algo mais, necessidade de nos desafiar e de sair da nossa zona de conforto. Foi isso que decidi fazer, recentemente, ao sair do meu trabalho, do meu país, aumentando assim a distância face à minha família, aos meus amigos, aos escuteiros…Já o disse e torno a dizê-lo: foi um acto de Fé! Não tenho outra forma de o explicar e, honestamente, só esta me basta.

Este vai ser o primeiro Natal longe de muitas pessoas que me são queridas, mas perto de uma Pessoa igualmente querida e especial; este vai ser o primeiro Natal em que não irei cear com a minha família mais próxima, como é o caso dos meus pais, irmã e avós Luz e Carlos; este vai ser o primeiro Natal que passo num país diferente do meu, com uma cultura e costumes um pouco diferentes daqueles aos quais estou habituado…Apesar de tudo isto, apesar de alguma dor e tristeza que queiram tomar posse do meu ser, há uma alegria muito maior que está presente – aliás duas – a primeira é que vim lutar por algo melhor, não só para mim e por mim, mas por aqueles que trago comigo no peito; a segunda é que o nascimento do meu Salvador, do nosso Salvador, está próximo e isso, meus caros, suplanta a maior das tristezas.

Feito o balanço, já é mais que tempo de me direccionar para Quem é a Estrela destes dias – Jesus Cristo.

Respeito, repito, respeito as tuas crenças, a tua Fé (ou ausência da mesma derivada das mais diversificadas situações), porém peço-te que sejas coerente (algo que é extremamente difícil de fazer e ao qual eu falho redonda e diariamente) contigo, com os outros, na tua vida, pois se o formos ou se, pelo menos, tivermos o desejo de o ser, creio que podemos fazer pequenas (grandes) coisas e, quiçá, fazer a diferença.

Se é algo fácil? Talvez, mas regra geral é sempre algo complicado…Colocarmo-nos ao serviço é desconcertante, inquieta-nos, mas todos sabemos o quão reconfortante e necessário é que o façamos. Se iremos tropeçar enquanto o tentamos fazer? Certamente e, em muitas ocasiões, iremos desmoralizar, roçar o chão, (erradamente) pensar que não é uma missão que está ao nosso alcance. Uma coisa vos garanto “…se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há-de passar; e nada vos será impossível. (c.f Mt 17, 20) “ e, acreditem, que até para ter Fé temos de contar com Jesus, com Deus, com o Espírito Santo.

Neste Natal (não só, mas também e de forma mais atenta) confia a Deus a tua vida, fala com Ele, sê seu amigo, pois “(…) tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis. (c.f. Mt 21, 22)” e não são precisas grandes palavras e grandes argumentos porque Ele bem sabe aquilo que precisamos. Recordem-se, porém, que o Seu tempo não é o nosso e isto, meus caros, nem sempre é fácil de aceitar, muito por causa da nossa condição humana.

Que neste Natal, o Senhor Jesus vos conceda todo um vasto conjunto de dons e graças, que vos inspirem a serem pessoas melhores, mais disponíveis, mais felizes, mais completas, mais realizadas; que neste Natal, o Espírito Santo vos ilumine e seja sempre uma Luz na qual podem (e devem) confiar e segundo a qual orientem a vossa vida; que neste Natal, a Virgem Maria, nossa Mãe, nos ensine a sermos humildes e a termos consciência da nossa fragilidade; que neste Natal, Deus, nosso Pai, nos infunda com o Seu infinito amor, se compadeça de nós e nos perdoe sempre as nossas falhas.

São estes os meus votos nesta época tão especial e marcante, na esperança de que se estendam por todo o 2016 que está “já aí”.

Jovens, termino, este ano, de forma diferente, deixando-vos um vídeo(1) feito por um amigo que, em tudo resume o que nunca nos devemos esquecer – é que, quando O colocamos nas nossas vidas, melhor dizendo, quando O colocamos no centro das nossas vidas, com humildade, coração contrito e disponível para O seu amor, se estivermos atentos, a nossa vida ganha um novo perfume, arrisco-me a dizer, inclusivamente, que a nossa vida ganha vida.

Do vosso,
Saul Vitorino

Data de escrita: 24/12/2015

(1) Vídeo de Natal

Até já

Até já

Parto. Parto com o destino traçado, porém de coração algo apertado – embora tenha a noção de que ainda estou, em parte, demasiado à vontade com toda esta aventura.

Sei que muitos vão ser apanhados de surpresa, outros nem tanto. A realidade é que esta decisão já estava tomada desde Setembro, mas andei a encontrar motivos para a adiar – ao fazer uma introspecção é a conclusão à qual chego – durante algum tempo e em virtude da coerência entre pensamentos e acções que sempre defendi, tanto ao nível pessoal, como profissional.

Apesar disto, a necessidade de me colocar à prova em tão grande desafio e a curiosidade que tenho vindo a desenvolver, há alguns anos, foi-se tornando cada vez mais forte e difícil de controlar/ignorar. Esta decisão, porém, não foi tomada de ânimo leve – embora o possa aparentar.

No país ficam família, amigos, colegas de profissão, conhecidos, o Agrupamento de Escuteiros que me formou e tanto ajudou a crescer, a(s) paróquia(s) à(s) qual(ais) pertenço e fui pertencendo…Creio que é preciso ter bastante força de vontade para dar um passo assim. Confesso que, até há pouco tempo, não me sentia munido de tal força, de tal disponibilidade mental. No entanto, há medida que “foi chegando a hora” de ponderar e analisar a minha vida, compreendi que esta será (espero-o de todo o coração) a opção adequada para o meu futuro pessoal e profissional.

Não vou discutir se esta situação é justa – leia-se a emigração, no geral, tendo em conta o actual estado da nação -, se é ingrata para os que ficam e para os que vão, se é mais uma prova de que Deus não existe ou mesmo se é uma “sacanice de todo o tamanho”. O que vos posso dizer é que muitos, antes e depois de mim, irão dar passos semelhantes a este, seja em busca da felicidade, em geral, ou mesmo com outro qualquer objectivo de vida pessoal ou profissional.

Há cerca de três anos foi-me transmitida a seguinte ideia: “Não tenhas medo. Por vezes, confiar em Deus, é como estar à beira do precipício e atirares-te, na certeza de que, mesmo que não o vejas, Ele estará lá para te agarrar”. Honestamente, volvido todo este tempo, cada vez mais olho para esta ideia, da necessidade que tenho de confiar n’Ele. Sim, estou perante um desses momentos, um momento em que estou a depositar toda a minha confiança em Alguém que não vejo, que por vezes nem sinto, mas que sei que está comigo; sim, estou a fazer um acto (verdadeiro?) de Fé, consciente do que esse mesmo acto acarreta. Mas sabem o que é mais curioso? Estou em paz, ou melhor dizendo, vou em paz.

Permitam-me, antes de terminar, agradecer a todos os que apoiaram, questionaram, reprovaram e duvidaram desta decisão. Obrigado pelas palavras amigas, pelos momentos de convívio, pelas lágrimas, pela vossa presença na minha vida.

Em suma, e como diz a sabedoria popular portuguesa: “vou ali e já venho!” (o que vale é que agora há Skype, Facebook Chat, Viber, Whatsapp e tantas outras aplicações e plataformas que permitem que estejamos mais perto uns dos outros – mesmo que, na realidade, não passe de uma boa ilusão. E não esqueçamos que a vida só faz sentido quando é vivida na sua plenitude, de cabeça erguida e coração ao Alto.

Um abraço apertado a todos os que ficam,
Saul Vitorino

Este texto começou a ser redigido no Aeroporto Sá Carneiro e foi terminado durante a viagem até Londres.

Parabéns, Mariana Vitorino

Parabéns, Mariana Vitorino

Regra geral, são vários os motivos que nos podem induzir a escrever, são várias as emoções anexas, são vários os pensamentos que querem ter voz…

Hoje escrevo para (e por) uma das mulheres da minha vida – mesmo que ela não tenha noção disso, talvez porque não lho diga com frequência -, hoje escrevo para a única pessoa da família directa (se me permitem a expressão) que ainda não tinha tido, até à data, qualquer tipo de dedicatória… Hoje escrevo para a minha irmã, Mariana Vitorino.

Durante a madrugada, enquanto dava voltas na cama, por causa do calor, recordei o dia em que nasceste…Recordei, particularmente, o facto de estar em casa da avó Luz e o pai ter chegado de carro. Buzinou e nós viemos cá para fora (eu, a avó e a tia Piedade) e o pai disse: “Já nasceu!” Ao chegarmos ao hospital, recordo-me que foi com imenso cuidado que te peguei ao colo e, embora na altura tenha sido muito importante, apenas hoje, passados 14 anos, tenho plena noção do significado daquele gesto tão singelo, mas mágico e avassalador.

A “Nicró” foi crescendo e crescendo e, verdade seja dita, não só em tamanho, mas também em astúcia, inteligência (que a tem em maior quantidade que qualquer elemento lá em casa – também me incluo neste lote), capacidade de compreender o que a rodeia, em teimosia (não fosse ela da família Vitorino), mas sobretudo numa enorme habilidade de não só perceber a importância da Fé, como também de amar e de se preocupar com o próximo.

A nossa relação nem sempre foi fácil (penso que todos os que têm irmãos terão algo a dizer sobre esta matéria), porém, nos momentos verdadeiramente importantes, soubemos estar lá um para o outro (creio eu) e sempre soubeste surpreender-me quando menos esperava, especialmente nos escuteiros – recordo o dia das minhas partidas, em que me entregaste um bilhete com uma dedicatória; recordo o texto que tens neste mesmo blog, o da “pequena sacana”…

Mariana, o mano nem sempre te deu a atenção que merecias e exigias, nem sempre te instalou os jogos no computador, nem sempre teve paciência para ti ou para as tuas acções, nem sempre foi capaz de te abraçar quando precisavas, muito por culpa própria, porque a vida fora de casa (e mesmo dentro desta) foi exigindo cada vez mais de mim – peço-te que aproveites, ao máximo, os anos de vida em que as grandes preocupações são os testes ou estudar; peço-te que aproveites as oportunidades que surgem a cada amanhecer e peço-te que não tenhas medo de crescer, mantendo a criança amiga, verdadeira, sincera e capaz que sei que és.

Certamente te aperceberás que, muitas das vezes, erramos na vida, falhamos e tropeçamos, mas quero-te dizer que estou ao teu lado, mesmo que apenas de forma espiritual; quero-te dizer que estou à distância de uma chamada de telemóvel, skype, whatsapp, facebook – irra, tanta maneira de estarmos perto e, por vezes, nem assim!; quero-te dizer que tenho um imenso orgulho em ti, nas tuas capacidades, na forma como manifestas a tua Fé – caramba…tivesse eu a tua capacidade quando tinha a tua idade…tivesse eu compreendido a importância de Deus e de Jesus na minha vida – e que tão feliz me deixa;

Mariana, eu gosto muito de ti – tanto quanto um irmão pode gostar; Mariana, eu amo-te com todo o meu coração – tanto quanto um irmão pode amar; Mariana, eu preciso de ti na minha vida – tanto quanto um irmão pode precisar…

Mariana, quero pedir-te desculpa por não estar aí contigo para te cantar os parabéns e para te dar um abraço apertado, quero-te pedir desculpa por não te dar nenhuma prenda (hoje, pelo menos), quero-te dizer que estou com saudades tuas e da tua companhia, na sala, a jogar Playstation e a levar, de vez em quando, “valentes coças” no Fifa (sim, admito, a minha irmã de 14 anos joga muito melhor do que eu).

Para terminar, agradeço a Deus, nosso Pai, pela enorme graça que concedeu à nossa família – o teu nascimento e vida; agradeço aos nossos pais por terem escutado a voz que lhes dizia: “Jovens, se calhar já ouviam o vosso filho e tentavam dar-lhe um irmão (que acabou por ser irmã, felizmente)!” e agradeço-te a tua presença na minha vida, a tua amizade, a tua boa disposição e parvoíce (sim, porque há que ter boa disposição de espírito, não é?)

Obrigado, Mariana, por seres minha irmã!

Muitos parabéns e que Deus te conceda todas as bênçãos que precises não só durante “os 14”, mas durante toda a tua vida, porque anjos da guarda e estrelas no céu a olhar por nós, já temos algumas…

Beijinhos do mano,
Saul Vitorino

Mensagem de Natal 2014

Estimados familiares, amig@s, entidade patronal e companheiros de trabalho,

Longe da inspiração de outros anos e, curiosamente, à semelhança do ano transacto, só no dia de consoada é que consegui encontrar a disponibilidade necessária para a redacção desta mensagem de Natal, que muito me orgulho de escrever e partilhar – mesmo que a sua relativa “qualidade” possa ser inferior à de outros anos.

Antes de vos endereçar quaisquer tipo de votos, permitam-me que faça o meu balanço deste ano.

Começo por dizer-vos que este ano foi de desafios, de provações, de excelentes momentos, mas também de algumas tristezas. Apesar disso, acredito que grande parte das opções foram conscientes e, mesmo acarretando as devidas consequências, creio que evoluí, de forma positiva, em múltiplos aspectos, no presente ano. Guardo, principalmente, junto do meu coração, o processo de procura do primeiro emprego – que, embora moroso, acabou por dar frutos , a minha formação de dirigente – que foi capaz de me dotar de mais ferramentas para o singelo contributo que posso/poderei dar aos escuteiros do 1215 Tavarede (e a tantos outros, se assim for necessário) –, o segundo Caminho de Santiago – com um grupo de Pessoas que, embora de idades e experiências de vida muito diferentes, conseguir tornar-se homogéneo e que em muito contribuiu para um necessário recuperar de energias, da minha parte –, os primeiros meses no local de trabalho – onde posso demonstrar o meu valor, como pessoa e profissional, e onde posso e quero evoluir, para o bem comum, para o bem maior – e, por fim (embora houvessem muitos outros momentos dignos de registo), o temporário afastamento de uma parte de mim – tanto a nível físico, como espiritual.

Indo, agora, ao encontro do verdadeiro protagonista (que sem o querer

ser o é – e ainda bem para todos nós): Jesus volta a nascer, de forma simbólica, nesta noite que se avizinha. Ele é, indubitavelmente, a razão pela qual escrevo esta mensagem, para a todos lembrar (a mim também), crentes ou não, que, de facto, Jesus de Nazaré nasceu, cresceu, morreu – mataram-no, em boa verdade – mas mais importante do que isso Ele ressuscitou.

Pode parecer estranho falar em Ressurreição no Natal, quando comemoramos o nascimento d’Ele, mas hoje transmitiram-me um ponto de vista que merece ser, na minha opinião, partilhado: “Só conseguimos compreender o Natal, se o olharmos com olhos de Páscoa” e “contemplando a essência do presépio” (confesso que fiquei muito pensativo ao ouvir estas palavras, mas fiquei, de certa forma, reconfortado e cheio de alegria por, de alguma forma, compreender o verdadeiro sentido por detrás deste pensamento. De facto, ao olhar o presépio, em silêncio, durante alguns minutos – note-se que existe uma grande importância no acto de contemplar e de tomar consciência da representação da realidade que está à nossa frente e que constitui um exercício complexo e que, se me permitem, vos sugiro que tentem fazer é fácil apercebermo-nos da humildade, da pobreza – mas grande riqueza –, da simplicidade com que Jesus se fez homem e que a todos enche os corações de alegria, de paz, de caridade)

Embora a nossa Fé seja sempre pequena e intermitente, creio que cada cristão se interroga, por vezes, da essência destas duas festividades – as principais da Igreja Católica.

No Natal comemoramos o nascimento do Salvador, aquele que, por mim e por ti, morreu na cruz, para a todos salvar, sem excepção. Não é fácil aceitar ou até compreender esta realidade (pelo menos, para mim), de qualquer modo, creio que só com disponibilidade física e mental é que podemos compreender os desígnios de Deus e a mensagem que o Seu filho nos deixou.

Na Páscoa comemoramos a morte e Ressurreição de Jesus, que nos dá a certeza de que, por muitas asneiras, vulgo pecados, que façamos, há sempre hipótese de nos reconciliarmos, de aderirmos ao amor e perdão de Deus, e ao

seu plano de felicidade que tem para todos nós.

Muitos se poderão questionar: então e a pobreza? A fome? As injustiças? Onde anda Deus na minha vida? Todas estas questões são válidas mas permitam-me, de uma forma simples mas que exige muito de cada um de nós dizer-vos o seguinte: Deus criou-nos livres e respeita essa nossa liberdade; Deus não impõe nada, embora sugira. Como sabeis, em todo o lado, em todo o mundo, existem pessoas com maldade, capazes de “não olhar aos meios para atingir os fins”; existe o mal que nasce dentro dos nossos corações e que se manifesta de muitas formas; existe a falta de humildade; existe o rancor, a sede de vingança, a necessidade de ignorar o próximo para que possa conquistar o meu bem-estarPor outro lado, se nós o permitirmos e, em certa forma, deixarmos que Deus entre na nossa vida, ao invocarmos e recebermos o Espírito Santo, nomeadamente através da reconciliação, começamos a olhar o mundo “como Ele o vê”, isto é, começamos a sentir paz, começamos a compreender a importância do perdão, do amor verdadeiro, do serviço, da partilha fraterna, da importância da oração.

Caríssimos, confesso-vos que sou um pecador consciente e persistente, longe do ideal de santidade, mas que, aos poucos, com Fé, vai sabendo entregar a sua vida, nos bons e maus momentos, Àquele que tudo pode, Àquele que hoje nasce, Àquele que tudo criou e cria, mas acima de tudo, Àquele que está sempre connosco, mesmo que não o vejamos, mesmo que não o sintamos, mesmo que não o compreendamos.

Saibamos acolher, como Ele o disse várias vezes, sem medo (c.f. Mt 14, 27) nos nossos corações, na nossa vida, no nosso trabalho, o nosso Amigo e Senhor Jesus, conscientes de que, embora tenhamos de carregar a nossa cruz, isto é, viver a vida com tudo o que ela abarca, desde as vicissitudes aos momentos que ficam gravados na nossa alma e no nosso coração. Saibamos, também, compadecer-nos dos que sofrem, procurar tomar consciência da nossa fragilidade e da nossa condição humana, acreditar que Jesus veio para a todos salvar, não só nesta altura festiva, mas durante todos os dias do ano,

durante a nossa efémera passagem por aqui (que espero que dure longos anos).

Assim, desejo a todos vós um Natal vivido na humildade, junto de todos aqueles que são especiais, sejam eles familiares, cônjuges, amig@s ou conhecidos, lembrando que é por Ele que nos reunimos, mesmo que imperem os bons valores, que certamente nos foram transmitidos pelas nossas famílias e, possivelmente, pelo processo educativo do qual somos alvo. Espero, do fundo do meu coração, que o vosso Natal seja celebrado com os olhos e coração em Jesus, e creio que se assim o fizerdes ireis ganhar em felicidade, em paz e em capacidade de perdoar e em amor verdadeiro – aquele amor que Ele(s) têm por nós.

Por fim, em jeito de conclusão, endereço-vos, também, votos de um excelente 2015, com estabilidade ao nível pessoal, laboral, familiar ou outro(s), por forma a que, conscientes do que nos rodeia e com Fé, saibamos viver e não sobreviver, em tempos que podem continuar difíceis, mas nos quais não estamos, certamente, sozinhos.

Que Deus vos abençoe a todos e vos permita abraçar e ver em Cristo o ideal de Homem-Novo a seguir e a imitar.

Do vosso,
Saul Vitorino

Data de Escrita: 24/12/2014

Parabéns, pai

Deixo aqui o texto que dedico ao Super-Herói da família, o meu pai, José Vitorino.

Hoje é a minha vez de te dirigir algumas palavras de carinho e apreço, publicamente, através deste meu breve texto.

Antes de mais importa dizer que é com bastante tristeza que, este ano, me sirvo do computador para te desejar os parabéns, em virtude de estar a trabalhar mas, por outro lado é bom saber que, não és só tu que cresces – neste caso, envelheces -, mas que eu também cresço, tanto ao nível pessoal, como profissional.

Não importa falar sobre o passado porque já o fiz noutras ocasiões. Importa, sim, falar no presente e pensar o futuro, sendo que tenho a certeza que há Alguém que nos reservou excelentes momentos para vivermos e partilharmos, seja a nível familiar ou a nível escutista; importa, sim, reconhecer a excelente forma como me educaste e contribuíste para que me tornasse um bom rapaz; importa, sim, reconhecer que, embora existam dois – o do céu e tu – tenho muito orgulho em ser teu filho; importa, sim, reconhecer que foram poucas as vezes em que te vi chorar, mas todas elas revelaram toda a tua grande humanidade – porque “um homem também chora quando assim tem de ser”.

Há uma passagem bíblica que me ocorre, neste momento, que reflecte a nossa relação e é uma verdadeira licção de vida – entre tantas outras que podemos encontrar na Bíblia:

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; 2. humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, 3. sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. 4. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. 5. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. 6. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice.” Eclesiástico 2,1-6

De facto, pouco mais posso acrescentar, a não ser que te amo verdadeiramente, como um filho pode amar o pai e sei que o sentimento é recíproco. Obrigado pela tua presença e apoio incondicional na minha vida, obrigado pela amizade fraterna e verdadeira e obrigado por contribuíres, diariamente, para “a felicidade do outro” e, neste caso, para a minha.

Os meus desejos, neste dia, são dois: O primeiro é que saíbamos prevalecer e permanecer nos caminhos da vida, como família e em família, confiando em Deus e nos seus desígnios, mesmo que não os compreendamos; o segundo é dizer-te: Parabéns, pai, por mais este ano de vida, que os números não te atrapalhem a jovialidade de espírito, e que Deus te fortaleça e abençoe durante todos os dias da tua vida,

Do filho,
Saul Vitorino

Mensagem de Natal 2013

Mensagem de Natal 2013

Caros amig@s, familiares e demais conhecidos,

Um pouco diferente do costume, já que esta mensagem costuma estar redigida antes da véspera de Natal, não foi por esquecimento, mas sim por outras tarefas e andanças que ainda não tinha redigido esta que é a sexta mensagem deste tipo.

Como todos sabem, este foi um ano de dificuldades acrescidas, principalmente a nível económico, tendo em conta o actual estado do país. Apesar disso, dou graças a Deus pois, felizmente, não passei qualquer tipo de privações. No entanto existirão pessoas, quem sabe algumas bem próximas, que não tiveram a mesma sorte.

Mas, como dizia a canção dos Rio Grande, “falemos de coisas bem melhores”! Nesta fase do ano, opto por fazer um balanço de tudo aquilo que foi o ano transacto e também começo a pensar quais os projectos que irei continuar, quais aqueles que vou abraçar e quais irei deixar de participar, de forma consciente.

Confesso-vos que foi um ano muito irregular, com inúmeras nuances, tanto extremamente positivas, como por oposição, bastante negativas. Foram algumas as lições de vida que retirei, outras que consegui transmitir. Foram alguns os sentimentos de injustiça e de impotência, mas também existiram momentos em que o amor e o perdão falaram mais alto descobrindo-se alguma Paz.

Houve, apesar disto, um esforço maior para me aproximar d’Aquele em que acredito, d’Aquele que nos escuta e nos conhece o coração, o nosso íntimo – embora, até aqui, tenham existido momentos de turbulência, de pouca fé, de desconfiança, de afastamento.

É com estas turbulências, com estas quedas, com estas feridas e marcas, que somos convidados a viver o Advento, tempo de preparação para vinda de Cristo Jesus. Vais deixá-Lo entrar no teu coração? O que fizeste tu para O acolher? Estás disposto(a) a que Ele comece a fazer parte da tua vida e a conduzir-te? Acreditas n’Ele? Tens Fé?

Estas são apenas algumas questões de muito difícil resposta, mas que certamente têm o poder de nos fazer (re)pensar a nossa vida, na multiplicidade de dimensões que a constituem.

Por outro lado, em conversa com um amigo, discutíamos a hipocrisia que, de alguma forma, caracteriza esta época natalícia, em que movidos por diversos interesses, somos quase que forçados a dirigir os nossos votos de boas festas, apenas porque assim mandam as regras, esquecendo-nos, em seguida, que existem mais dias no ano. De facto, existe alguma razão neste pensamento, sendo este um possível verso da moeda.

Apesar disto, creio que independentemente de ser uma realidade para muitos, os valores do amor, da caridade, do perdão, do interesse e preocupação fraternos, do verdadeiro sentido do Natal – o nascimento de Cristo Jesus – é capaz de suplantar esta falsidade, este interesse pútrido no irmão a quem desejamos “Boas Natal!”.

É este nascimento, em que Ele se torna Homem no meio de nós, fazendo-se pequeno, mas sempre justo, coerente, íntegro, com uma capacidade de amar e perdoar o próximo, que Jesus veio mudar o mundo, contribuindo para que se tornasse um pouco melhor, com todo um conjunto de valores que devem orientar as nossas vidas passageiras.

Neste – e nos outros natais – somos convidados a receber e acolher este Cristo, pedindo-Lhe que ilumine as nossas vidas, que nos permita ser como Ele, sabendo que na nossa pequenez, na nossa humilhação, nos tornaremos verdadeiramente grandes, nos nossos corações, pois só um coração que ama e sabe perdoar, poderá atingir a Paz e Felicidade Eternas.

Saibamos estar mais atentos aos que nos rodeiam, mas também a nós mesmos; saibamos silenciar o nosso íntimo, para nos podermos escutar e conhecer melhor, não só nesta época festiva, mas também durante todo o ano; saibamos confiar uns nos outros, com a intenção de nos conhecermos, de convivermos, de sermos verdadeiramente irmãos.

Assim, em meu nome, desejo a todos os familiares, amigos, (des)conhecidos e professores um Santo Natal, na presença de todos aqueles que continuam, fisicamente, connosco, relembrando aqueles que já olham por nós, tal como Ele o faz. Que o (re)nascimento de Jesus torne os nossos corações empedernidos em corações de carne, atentos, vigilantes, capazes de dar testemunho e confiantes que Ele vêm para nos salvar, para nos ajudar e acompanhar todos os dias na nossa vida, sabendo que o tempo d’Ele é diferente do nosso. Que, pelo simples facto de nem sempre sabermos aceitar esse Seu tempo, Ele nos dê a força de, renovados e fortalecidos na Fé, compreendermos os Seus desígnios, sabendo entregar-Lhe e dar-Lhe graças pelos nossos sorrisos, mas também pelas nossas lágrimas.

Por fim, permitam-me que vos enderece votos de um Próspero ano de 2014, sinónimo de mudanças, novos desafios, mas também de responsabilidades que transitam deste ano que está perto do fim. Que, conscientes dos múltiplos ciclos da vida, saibamos ver os sinais e setas amarelas, sabendo lutar por aquilo em que acreditamos, conhecedores das nossas limitações e transformando-as em valências, porque em muitas situações, mesmo quando estamos a perder, saímos a ganhar.

 

Do vosso,

Saul Vitorino

 

Data de Escrita: 24/12/2013