Até já

Até já

Parto. Parto com o destino traçado, porém de coração algo apertado – embora tenha a noção de que ainda estou, em parte, demasiado à vontade com toda esta aventura.

Sei que muitos vão ser apanhados de surpresa, outros nem tanto. A realidade é que esta decisão já estava tomada desde Setembro, mas andei a encontrar motivos para a adiar – ao fazer uma introspecção é a conclusão à qual chego – durante algum tempo e em virtude da coerência entre pensamentos e acções que sempre defendi, tanto ao nível pessoal, como profissional.

Apesar disto, a necessidade de me colocar à prova em tão grande desafio e a curiosidade que tenho vindo a desenvolver, há alguns anos, foi-se tornando cada vez mais forte e difícil de controlar/ignorar. Esta decisão, porém, não foi tomada de ânimo leve – embora o possa aparentar.

No país ficam família, amigos, colegas de profissão, conhecidos, o Agrupamento de Escuteiros que me formou e tanto ajudou a crescer, a(s) paróquia(s) à(s) qual(ais) pertenço e fui pertencendo…Creio que é preciso ter bastante força de vontade para dar um passo assim. Confesso que, até há pouco tempo, não me sentia munido de tal força, de tal disponibilidade mental. No entanto, há medida que “foi chegando a hora” de ponderar e analisar a minha vida, compreendi que esta será (espero-o de todo o coração) a opção adequada para o meu futuro pessoal e profissional.

Não vou discutir se esta situação é justa – leia-se a emigração, no geral, tendo em conta o actual estado da nação -, se é ingrata para os que ficam e para os que vão, se é mais uma prova de que Deus não existe ou mesmo se é uma “sacanice de todo o tamanho”. O que vos posso dizer é que muitos, antes e depois de mim, irão dar passos semelhantes a este, seja em busca da felicidade, em geral, ou mesmo com outro qualquer objectivo de vida pessoal ou profissional.

Há cerca de três anos foi-me transmitida a seguinte ideia: “Não tenhas medo. Por vezes, confiar em Deus, é como estar à beira do precipício e atirares-te, na certeza de que, mesmo que não o vejas, Ele estará lá para te agarrar”. Honestamente, volvido todo este tempo, cada vez mais olho para esta ideia, da necessidade que tenho de confiar n’Ele. Sim, estou perante um desses momentos, um momento em que estou a depositar toda a minha confiança em Alguém que não vejo, que por vezes nem sinto, mas que sei que está comigo; sim, estou a fazer um acto (verdadeiro?) de Fé, consciente do que esse mesmo acto acarreta. Mas sabem o que é mais curioso? Estou em paz, ou melhor dizendo, vou em paz.

Permitam-me, antes de terminar, agradecer a todos os que apoiaram, questionaram, reprovaram e duvidaram desta decisão. Obrigado pelas palavras amigas, pelos momentos de convívio, pelas lágrimas, pela vossa presença na minha vida.

Em suma, e como diz a sabedoria popular portuguesa: “vou ali e já venho!” (o que vale é que agora há Skype, Facebook Chat, Viber, Whatsapp e tantas outras aplicações e plataformas que permitem que estejamos mais perto uns dos outros – mesmo que, na realidade, não passe de uma boa ilusão. E não esqueçamos que a vida só faz sentido quando é vivida na sua plenitude, de cabeça erguida e coração ao Alto.

Um abraço apertado a todos os que ficam,
Saul Vitorino

Este texto começou a ser redigido no Aeroporto Sá Carneiro e foi terminado durante a viagem até Londres.

Final de uma etapa!

Familiares e amigos,

Como muitos de vocês sabem, durante cerca de dois anos, estive a realizar o mestrado em Comunicação Multimédia, ministrado na Universidade de Aveiro. Felizmente, alguns acompanharam-me de perto, outros de mais longe, mas nunca deixaram de acreditar em mim algo que, permitam-me o desabafo, eu deixei de fazer a certa altura do percurso.

Poderia ter sido um caminho bem menos sinuoso, mas sou daqueles que acredita na razão das coisas, no “acontece com um sentido, mesmo que não o consigamos captar, a priori” ou ainda no “é necessário aprendermos com os nossos erros”.

Foram algumas as vezes que pensei em desistir, em segredo, e outras  em que algumas pessoas ficaram a saber dessa possível decisão. No entanto, no meu íntimo, sempre soube que iria e que teria de levar este compromisso até ao fim pois sou daqueles que quando se envolve num projecto assumo-o e esforço-me por levá-lo até ao fim. Afinal “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos” e eu fui, de alguma forma, escolhido para me envolver e terminar este empreendimento.

Despertei tarde, admito-o, mas soube entregá-lo a tempo, embora tivesse ponderado desistir do mestrado, ao não apresentar qualquer documento, e podia tê-lo feito, felizmente soube acordar, soube “dar corda aos sapatos” e tudo culminou com o dia de ontem, 9 de Dezembro de 2013, dia em que realizei a defesa pública da minha dissertação.

Confesso-vos, também, que não me recordo de um dia em que me tenha sentido tão sob pressão mas em simultâneo tenha conseguido corresponder tão firmemente à altura do desafio que as circunstâncias impuseram. Foi um longo período de observações e respostas, de explanação de ideias que não estavam tão claras quanto o pensava e desejava, mas soube sair de cabeça erguida.

Perto do encerramento da sessão de defesa, foi-me dada a palavra e após fazer um balanço de todo o processo referi a seguinte frase “Se caímos 8 vezes temos que nos levantar 9, e é por isso que aqui estou”.

Certamente existem lições que levamos para a vida e esta foi uma delas, já que fico com um sabor agridoce na boca. Por um lado, impera o sabor de vinagre, pois sinto que me desiludi a mim próprio, que não fui capaz de alcançar a classificação que desejaria e só posso imputar responsabilidades a uma pessoa – a mim; por outro lado, fica o sabor de um pedaço de algodão doce, que se vai desfazendo suavemente na boca, pelas pessoas que estiveram presentes, pelas palavras de apoio, pelas marcas que deixaram no meu coração, e que suavizam qualquer crítica construtiva, qualquer momento menos agradável.

São muitas as pessoas que marcaram e marcam, constantemente, o meu percurso académico, a minha vida. Sei que sem elas não teria chegado tão longe, mas ao mesmo tempo e com tanto caminho para percorrer, sei que tenho de manter a ambição e vontade de chegar cada vez mais longe.

Quero agradecer, primeiramente, aos meus pais, irmã e restante família, presente em corpo ou espírito, por todo o processo de transmissão de valores e educação ao longo de 23 anos de vida.

Seguidamente, quero agradecer a todos os amigos dignos dessa distinção, aqueles que considero família e que têm sempre lugar no coração.

Em terceiro lugar, desejo agradecer aos colegas de mestrado, aos que já defenderam com sucesso, aos que ainda vão defender, àqueles que decidiram seguir outros rumos, por todo o carinho, apoio e paciência que tiveram comigo.

Aos elementos do Pneuma e aos caminhantes de Santiago, por me permitirem renascer, tanto na vida pessoal como espiritual, sendo que ambos os desafios lançados e caminhos percorridos são responsáveis pela finalização deste capítulo.

Por fim, a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a pessoa que sou, para os erros que cometi e com os quais aprendi, sendo que mesmo aqueles que me tentaram derrubar me ensinaram que, ao perdermos, saímos sempre a ganhar.

Retomando, ainda, o final do dia, durante a viagem de regresso, vim muito pensativo, pois estava esgotado mental e fisicamente, pois a noite não fora muito bem dormida, tendo em conta o nervosismo típico destas situações.

Em seguida, veio o jantar mais reservado para a família e amigos desta – sim, tenciono reunir-me com muitos de vós, se o tempo e o dinheiro assim o permitirem, não para comemorar, mas para recordar alguns momentos marcantes deste meu percurso de vida.

No final, de uma forma muito insistente, a minha irmã insistiu que dissesse algumas palavras. Honestamente não me recordo muito bem do que disse, mas sei que quando terminei, a quase totalidade dos elementos que estavam à mesa tinha os olhos vermelhos, alguns com lágrimas que ainda teimavam em escorrer pelas suas caras…Lembro-me de ter pensado: “Missão cumprida! Agora sim estou verdadeiramente feliz e sinto-me plenamente realizado. O dia de hoje pode terminar, pois estou em paz!

É nestas alturas que sinto um enorme orgulho em mim – perdoem-me a presunção, mas penso que não estou nem a ser mentiroso, nem a ferir qualquer tipo de susceptibilidade.

Agora? Agora vem a parte verdadeiramente difícil, mas a que sinto que será mais desafiante: a procura de trabalho. No entanto, antes disso, há que reencontrar o equilíbrio que se foi perdendo, há que reencontrar as setas amarelas, os convívios com os amigos e conhecidos, a vontade de crescer e de ser uma pessoa que além de formada academicamente, é formada civicamente – através dos valores que defende, da capacidade de amar e de perdoar e de viver com um sorriso para dar, capaz de contagiar aqueles que me rodeiam.

Um grande bem-haja a todos,

Do vosso,

Saul Vitorino

Escuta-te!

Escuta-te!

Perdido na mente, em pensamentos despidos,

Recordo um olhar e sentimos sofridos.

O coração que não se arrepende e que bate forte,

Abraços profundos, conversas sem norte.

 

A dor pode ser grande, assim como a tristeza,

Mas é olhos nos olhos que encontrarás a firmeza!

Segue o que sentes, ignora essas mentes.

Que tanto te confundem nos passados, futuros e presentes!

 

Escuta-te, escuta-te a ti mesmo!

Ouve o que queres dizer!

Escuta-te, escuta-te a ti mesmo!

Pois é o bem maior que irá vencer!

Tudo acontece por essa razão,

Desconhecida para muitos, menos para o coração.

 

Cenários óbvios ou incertos, algum deles se há-de revelar,

Basta que estejas atento e que os saibas procurar.

Não existe manual, regra a seguir,

Apenas tu sabes o que queres cumprir.

 

Amor não tem preço, conta, peso ou medida,

O que interessa é que lutes por aquela parte da vida,

Que te faz sorrir, chorar ou corar,

Faças o que fizeres, não desistas de amar!

 

Autoria: Saul Vitorino

Data de escrita: 02/10/2013

Vidas vs. Pacman

Vidas vs. Pacman

Durante o dia de ontem, escutei uma das analogias que, na minha opinião, muito tem de relativo, mas que possui um grau de interesse elevado.

No meio dos dilemas da vida, essa que, por vezes, nos é madrasta, temos tendência a reflectir sobre as nossas falhas, sobre aquilo que deixámos de fazer ou aquilo que fizemos em demasia. Por outro lado, por entre tantas alegrias, percebemos como agir em determinadas circunstâncias, percebemos que não devemos de ter medo de demonstrar o que sentimos, independentemente daquilo e daqueles que estão diante de nós.

Ora, estas licções são, especialmente, úteis nos casos em que andamos perdidamente encontrados, em amores – ou desamores – por alguém.

Quantas vezes havemos de reagir, por impulso? Quantas vezes havemos de ponderar, pensar e repensar as opções que pretendemos tomar? Quantas vezes havemos de ser felizes, porém numa infelicidade interior que, ironicamente, nos bate à porta, resultado de passados que nos ajudaram a crescer? Quantas vezes, por outro lado, havemos de estar infelizes por não saber o que fazer, por nos sentirmos desamparadamente sós, por muito que nos queiram ajudar? Será que devemos, mesmo, como alguém sugeriu, abdicar da nossa felicidade, para que o outro seja feliz?

Vidas com interrogações são algo comum, pois cada um de nós, além de ter as suas, partilhadas ou não, pode optar por colocar ou retirar o crivo do seu coração, da sua mente e das múltiplas combinações que ambos produzem e albergam, em si próprios e em nós mesmos.

Muitos de vós, certamente, se recordarão desse arcade, de nome Pacman. Em que sentidos o podemos aplicar, às nossas vidas, é algo que pretendo desmistificar, em seguida.

Imaginemo-nos perante um coração resistente, purificado, vitima dos múltiplos flagelos que toda essa vida lhes incute e tomemo-lo como modelo, aplicando-lhe a lógica do jogo que referi, acima.

O nosso coração é constituído por todas as ‘bolas’, que o ‘boneco’ amarelo deve ingerir, desviando-se de outros elementos estranhos, para não perdermos o ‘nível’. Ora, isto pode aplicar-se a cada individuo, mas também àqueles que se partilham e que, em última instância, pretendem ser um só. Pode, igualmente, aplicar-se a essas opções que temos de tomar e, nas quais, decidimos se comemos as ‘bolas’, se fugimos dos ‘bichos-papões’ que nos assolam, ou se uma junção dos dois, que nos poderá levar, inclusivamente, a chegar ao ‘nível’ seguinte.

E, quando estamos presos num ‘nível’? Bem, como se devem recordar, existem as ‘bolas” maiores, que são as nossas ajudas, aquelas que nos fortalecem para ir atrás desses bichos, comendo-os, deixando-os, assim, temporariamente, fora do nosso caminho e que nos facilita a tarefa de comer os elementos mais pequenos. E as ‘frutas’? Essa ficarão de fora deste meu desabafo, porque não foram consideradas, na história que me foi contada.

Permitam-me que complique, um pouco, estas interpretações tão lineares, aplicando-lhes a dicotomia singular-plural e estabelecendo relação entre elas.

Qual o nosso papel? Somos as ‘bolas’ que vão ser comidas? Somos os ‘bichos-papões’ de alguém? Seremos, por ventura, as grandes ‘bolas’ capazes de tornar esses elementos mais vulneráveis? Ou será que nos está reservado o papel de pacman?

Independentemente do meu – e vosso – lugar, dos nossos conflitos, asseguro-vos que vos pode acontecer tornarem-se qualquer um destes elementos.

Pense-se, agora, que, enquanto pessoas que procuram o bem comum e maior, umas vezes seremos os responsáveis por consumir os elementos, que nos permitam alcançar um novo ‘nível’, sendo isso uma tarefa desgastante, para a pessoa consumida. Seremos capazes de nos deixarmos consumir? Não vai isso contra o princípio da felicidade, que todos queremos alcançar?

Será que somos capazes de utilizar uma dessas ajudas, sendo racionais e preocuparmo-nos connosco, talvez egoisticamente, perante uns, mas conscientes de que “já chega de sofrimento”, arriscando essa frontalidade que magoa, mas que é preferível a mentiras ou indeterminados adiamentos?

Vamos permitir “ser comidos” por essa outra pessoa, que pode estar cheia de boas intenções, já o ter demonstrado antes, mas que, por força de circunstâncias alheias e, eventualmente ocultas, e que podem não nos permitir discernir, de forma adequada, nos levem a pensar que esta acção é prejudicial para nós, arriscando não passar de ‘nível’?

Poderemos e deveremos ser perseverantes, tanto como pacman ou os ‘bichos-papões’, nunca desistindo desse objectivo final – que, para uns, é terminar o ‘nível’ e, para outros, dificultar que essa mesma etapa seja ultrapassada?

Qual a razão de todas estas analogias e o que contribuem para que possamos crescer, como pessoas dignas dos sentimentos que evidenciamos ou preferimos, por outro lado, esconder e/ou salvaguardar?

Caros, não possuo a resposta para nenhuma destas interrogações que coloquei, ao longo deste texto – se é que lho posso chamar – e tantas outras poderiam evidenciar-se, nesses múltiplos cenários imprevisíveis, que teimamos em prever. Como sabem, cada um deve ser igual a si próprio, ser fiel aos seus princípios e, se considerar válido e proveitoso, moldar-se às situações, adversas ou favoráveis, por forma a alcançar a já referida felicidade.

Procurem, no entanto, passar de ‘nível’, sempre que vos seja possível, pois assim irão crescer, à partida, um pouco mais. Alerto, apesar do acima, que não existe prejuízo algum em ficar nesse ‘nível’ que te atormenta, falhar e recomeçar, pois terás sempre desafios para enfrentar, uma vida para viver, pessoas para conhecer, escolhas para fazer.

Autoria: Saul Vitorino

Data de Escrita: 08/09/2013

Obrigado, amigo D.S., por esta valiosa licção de vida.

Feliz dia de S. José, feliz dia do Pai!

Feliz dia de S. José, feliz dia do Pai!

Em dia de S. José, dedico este desabafo ao meu pai José.

Gosto de recordar os momentos menos bons que tivemos, os momentos em que, por força das circunstâncias, estiveste ausente e algo desligado da minha infância – honestamente, não imagino a dor que, provavelmente, ainda tens, dentro de ti, por causa desta situação.

Apesar disto, desde cedo me foste capaz de mostrar valores como respeito, amizade, verdade, sinceridade, honestidade, justiça e, principalmente, o amor.

Em verdade te digo, são poucas as coisas que superam o amor de um pai, por seu filho e isso apenas o aprendi há poucos anos.

Na certeza da ausência de inspiração, serve este pequeno texto para te recordar o quão importante és, para mim, para a mãe e para a Mariana, diariamente; serve para te recordar que nem sempre foi fácil a nossa convivência; serve para te recordar que, nos momentos mais difíceis, estiveste lá para dar o teu conselho; serve para te recordar o quão frágeis somos, mas o quão felizes podemos ser; serve para te recordar dos pequenos passos que dei, das primeiras palavras, das poucas “sopas de urso” que me tiveste de dar – já diz a sabedoria popular, “poucos, mas bons” – pois foram no momento certo; serve para recordar que, onde quer que estejamos, haveremos sempre de estar juntos.

Todos os dias caminhamos, lado a lado, em direcção ao nosso Pai celeste. Certamente, o caminho é sinuoso, possui muitas armadilhas, mas a recompensa que daí advém é extremamente reconfortante. Espero que possa comemorar, junto a ti, não só o dia do Pai, mas o Natal, a Páscoa, as férias, os dias nos escuteiros, enfim, o número de dias que o Nosso Pai nos vai permitir continuar juntos, fisicamente.

Nem sempre serás compreendido, nem sempre darei o braço a torcer, nem sempre serei capaz de reconhecer que falhei…mas uma coisa jamais te negarei: o amor de filho, pelo seu pai.

“Que Deus te dê o dobro daquilo que tu me desejas!”

Um grande abraço, meu amigo, meu pai!

 

Data de Escrita: 19/03/2013

Autoria: Saul Vitorino

Perspectiva ponderada!

Perspectiva ponderada!


Dei por mim a desabafar com um processador de texto – Word, para ser mais específico – sobre o que me ia aqui para dentro. Talvez pela nostalgia ou pela manifestação que este dia já representou ou mesmo daquilo que ainda poderá representar, decidi tentar reflectir sobre um dia tão amado por uns e tão odiado por outros.

Sinceramente, admito que tenho uma postura equilibrada e ponderada, no que ao dia 14 de Fevereiro diz respeito. Por um lado, aceito e respeito o seu simbolismo, quando vivido com alguém, com uma cara metade, com aquela pessoa que te faz mais feliz, naquele preciso momento, e com a qual esperas passar instantes únicos – e aqueles mais comuns, também – que te ligam a ela, mesmo que, mais cedo ou mais tarde, esse sentimento venha a desvanecer. A questão é – e permitam-me a interjeição e o discurso mais revoltado – ‘porra! porque raio se prefere olhar para o facilitismo de nos desprendermos, quando as coisas vividas a dois são mais suportáveis?’

O outro lado, deste dia ou de outros dias – sim, porque não é só este que possui uma carga emocional, para aqueles que engraçam com ele – é o lado absolutamente normal, ou seja, é como muitos de nós gostamos de dizer ‘um dia como os outros’ ou, como li por aí, ‘um dia para fazer a diferença,’ seja por uma acção, seja por um pensamento que deverá ser posto em prática, em breve.

Ora, não defendendo que a minha perspectiva é a correcta, questiono-me – novamente com igual revolta – porque ‘carga de água’ é que o extremo é sempre aquilo que acabamos por viver? Porque não podemos viver as coisas gradualmente e temos sempre sede de mais e mais? Isto, meus amigos, é a chamada ambição humana que, em última análise, muitas relações pode destruir. Se não existir um equilíbrio, vamos acabar por sufocar a pessoa que amamos e todos sabemos onde isso nos vai conduzir.

Honestamente, continuo, ao fim de 22 anos, sem conseguir definir a palavra ‘amor’ ou os ‘tipos de amor’ que existem – é certo que posso ir ao dicionário, mas são apenas palavras e não uma forma tangível  de saber, e poder afirmar com alguma certeza: ‘Caraças! Estava a ver que não conseguia descobrir e sentir amor!’

Apesar deste desconhecimento, na minha opinião, existem alguns tipos que merecem destaque, sendo eles, o amor que nutrimos pela família, o amor de amigo, o amor pela pessoa com quem estamos e pretendemos constituir família – vá, há que admitir que, apenas se colocares a tua carreira acima de tudo, esta será uma das tuas prioridades – e até o tantas vezes dito ‘Ai, por amor de Deus!’. Não quero, de forma alguma, alimentar estas distinções, mas sempre fomos ensinados a catalogar as coisas, a rotulá-las, o que, por um lado, nos facilita a vida, mas nos dificulta o sentimento – quando eles se começam a confundir entre si, aí é que a situação complica, não é?

Ora, em suma, o passado existe por alguma razão, as recordações são o resultado natural de momentos, bons ou maus, que foste passando na vida e que, em última análise, constituem a tua experiência de vida. Sim – tenho de o admitir – seria bom que pudéssemos voltar atrás, repensar algumas escolhas, entre outras coisas…no entanto, há que seguir em frente, em busca dessa, por vezes, utópica felicidade, que está dentro de nós. Afinal,  devemos ser autossuficientes, devemos ter ‘amor próprio’ – olha, mais um tipo. Se conseguirmos viver bem connosco, qualquer pessoa que apareça e com a qual estejamos dispostos a partilhar será apenas ‘um acrescento’, ‘uma benesse’ – e como sabem bem estas benesses, estas partilhas…

Bem, já me alonguei – como é, de acordo com alguns, costume meu – e chega a altura de transmitir as minhas últimas considerações.

A todos os que têm – ou lutaram, sem receios – por uma companhia, um feliz dia dos namorados. Para aqueles que, por obra e graça do divino Espírito Santo, ou estão sozinhos ou estão em fase de avaliação e testes, feliz dia 14 de Fevereiro. Amanhã já são 15, logo, não percas tempo e liberta-te das coisas que te puxam para o fundo e agarra-te àquele balão de ar quente, que acaba de partir, chamado oportunidade.

 

Autoria: Saul Vitorino

Data de escrita: 14/02/2013

Fragilidade, ausência de mentalidade ou licção de vida?

Fragilidade, ausência de mentalidade ou licção de vida?
Existem certas alturas na nossa vida em que, por força das circunstâncias, tropeçamos e fraquejamos enquanto tentamos cumprir alguns dos objectivos que nos auto-propusemos, como também objectivos que não dependem, na sua totalidade, de nós próprios. Falo, a título de exemplo, de projectos de vida profissional ou pessoal, nas quais esta situação tende a ser comum – apesar das diferenças de personalidade, valores incutidos, entre outros factores. O que é certo – e todos temos direito a falhar – é que nos magoamos com esses tropeções ou com eventuais facadas de pessoas que considerávamos próximas e com bastante valor. Vão perdoar-me o desabafo, mas a ausência de seriedade e sentido de compromisso, tanto nas pessoas, como na própria sociedade, é consequência do desprendimento, da falta de carácter e coragem de alguns de nós – quem sabe, eu também me acabarei por incluir, mais cedo ou mais tarde, nesta mentalidade pútrida à qual todos nos sujeitamos e com a qual convivemos.
Recentemente, fui alvo de uma destas “teorias de conspiração”, que acabam sempre por deixar mazelas e que abalam, regra geral, a confiança e a imagem que temos de determinadas pessoas.Ora, sei – por experiência de vida, que é, ainda, bastante reduzida – que devemos “agarrar os touros pelos chifres”, que devemos ter a coragem de enfrentar os nossos medos, as nossas angústias, sabendo que tudo na vida tem consequências…a vida é uma constante troca e cedência de bens, sendo que essa troca nos permite, na minha opinião, não a vivência mas a sobrevivência. Apesar disto, uma pessoa deve ser permeável, deve tentar adaptar-se às circunstâncias, mas não fazer uso dessas máscaras que teimamos em usar, por ser “mais fácil”, porque “não sofro tanto”.- entre outras respostas e pensamentos da mesma índole  Não seremos nós dotados de sentimentos por alguma razão? Estaremos nós destinados a fraquejar para nos podermos levantar e optar de forma diferente, em decisões/situações futuras?
Assim sendo, como podemos combater esta fragilidade se pudemos não apresentar, ainda, maturidade suficiente? Se a nossa sociedade assim nos incute? Sinceramente, eu próprio desconheço as respostas a estas perguntas. Aquilo que eu sei é que, tendencialmente, prefiro afastar-me do sofrimento, da mentira, do facilitismo, da ausência de valores.
Já me perguntei, algumas vezes, “serei eu que estou a ser resistente e a fugir do meu caminho?”, “serei eu que deverei ir para esse caminho em que as consequências parecem apenas afectar os outros e das quais nós saímos ilesos?”, “irá o Universo tratar de reequilibrar-se? – por exemplo, deixar que os deuses, Karma, entre outros, actuem – afinal “what goes around, comes around” e disso eu já não tenho a menor dúvida. Talvez sejam as pessoas que nos rodeiam, com essa mentalidade que advém da experiência de vida, que nos transmitem essa licção – de como nos devemos comportar perante determinadas situações, de como devemos enfrentar os nossos problemas e não baixar os braços, num acto de cobardia e medo. Estes actos que acabo de referir podem possuir agravantes, nomeadamente quando confiamos que a nossa palavra é escutada e bem interpretada e, à nossa revelia, existem “coisas que acontecem” – permitam-me esta corriqueira expressão – e que nos fazem perder a calma e, quem sabe, a própria razão. Uma “segunda” agravante é quando as pessoas que incorrem neste tipo de acções são pessoas que nos são próximas, com as quais vivenciámos e experiênciámos momentos únicos – desde familiares, amigos, namorados(as) e mesmo (des)conhecidos. Sentimo-nos de confiança traída, que nos “pisaram” e “espezinharam”, que – e também é comum – “nos partiram o coração”. E o que revela isto? Revela que nós, dificilmente, conhecemos as pessoas que nos rodeiam, pois incorremos, com alguma regularidade, no risco de, quando menos esperamos, sermos alvo de “um complô e um conjunto de fachadas” que acabam por nos “atirar ao tapete”.
E de quem é a culpa? Bem, a culpa é de todos nós – que aprendemos com os erros que cometemos, acabando por dar apenas valor ao que tínhamos, quando já não o temos e isto é algo que, por muito que nos queiram ensinar, temos de ser nós a apre(e)nder.
Amigos, quando investimos em alguma coisa gostamos, obviamente, de obter algum retorno, seja ele material, psicológico, de cariz afectivo, intelectual…quando esse retorno não acontece, revolta-mo nos e começamos a desmultiplicar cenários e a questionarmo-nos “porque razão aconteceu?” – ou o inverso -, “será que isto me irá, mesmo, fazer crescer e ganhar aquela experiência para optar de forma mais consciente e coerente?”
Não quero, com este desabafo dizer que “sou eu que estou certo e todos os outros errados”, que “esta é a única e, logo, a forma correcta de pensar e agir, perante as situações”. Cada um é diferente de todos e igual a si próprio e é isso que nos torna especiais. Sejamos fortes, saibamos pedir ajuda, saibamos escutar e estar lá para aquela pessoa – que até pode pensar que não precisa, mas que, inconscientemente  necessita de uma grande ajuda – alguns de nós conseguimos compreender isto, quase automaticamente. Não tenhamos medo de servir, de fazer valer os valores que nos foram incutidos, de contrariar o facilitismo e a falta de maturidade que todos temos, em determinadas circunstâncias.
Estou aqui para que possam contar comigo, estou aqui para ser uma pessoa melhor…como é costume dizer em alguns desportos de alta competição “train hard, go pro”. A vida é mesmo assim, “a dormir só se aprende que a vida não é um sonho”*, a lutar aprende-se que ela não é constituída apenas por vitórias.

*Frase criada pelo amigo André Mora.

Autoria: Saul Vitorino
Data de escrita: 28/12/2012