Atípicamente Natal…

“Caros amigos, familiares, conhecidos e demais (possíveis) leitores,” – foi esta a fórmula inicial da minha mensagem do ano transacto e que, por considerar ser a mais ampla e apropriada, a parafraseio no início deste apontamento natalício, que costumo partilhar convosco.

Chegado o dia 24 de Dezembro, chega também a hora do balanço do ano e, por consequência, da reflexão natalícia.

2016 foi um ano que ceifou – penso ser este o vocábulo mais adequado – numerosas de vidas, imensos sonhos; foi um ano de imensas provações, pessoais e profissionais; foi um ano em que a grande maioria das situações e circunstâncias pareceram conspirar contra mim/contra nós e em que a nossa resiliência foi, constantemente, testada ao limite. Com perdas e feridas, vacilando constantemente, chegámos até aqui, com o desejo de que este, em muitos aspectos, trágico ano chegue, de uma vez por todas, ao fim.

Porém, houve momentos de esperança, momentos de sucesso, momentos de triunfo e de Fé que, embora não suplantassem a dor e mágoa, em muito contribuíram para ultrapassar os obstáculos que, teimosamente, se iam sucedendo;

Caríssimos, apesar de tudo, creio em Deus Pai, na Virgem Santa Maria, no seu Filho Jesus e no Espírito Santo; creio que, apesar de todas as adversidades, somos capazes de triunfar, diariamente, se soubermos colocar os nossos corações ao Alto; creio que, se estivermos dispostos a oferecer todos estes sacrifícios, seja através das nossas acções no trabalho, mas também fora dele, iremos conseguir crescer na Fé, na Esperança, na Caridade.

Que a Santíssima Trindade a todos abençoe e fortaleça na Fé.

Manifesto o profundo desejo de que, Jesus Cristo, habite, para sempre, nos nossos corações e nos faça (re)nascer com Ele e como Ele. Não nos esqueçamos que o Seu tempo não é o nosso; não nos esqueçamos que Jesus veio ao mundo para nos resgatar das trevas; não nos esqueçamos que o Seu Perdão, Misericórdia, Amor e são infinitos.

Muito haveria para dizer, porém, o essencial fica aqui registado…Este ano, mesmo com um elemento (fisicamente) a menos, à mesa, sinto que 2017 será o ano que 2016 não foi.

Que este 2017 seja sinónimo de princípios, de novos desafios, de momentos recheados de amor, paz, boa disposição, mas acima de tudo, d’Aqueles e com Aqueles que são, arriscaria dizer, essenciais para todos nós.

Do vosso,

Saul Vitorino

 

Data de escrita: 24/12/2016

Anúncios

Longe, mas perto – um Natal diferente

Longe, mas perto – um Natal diferente

Caros amigos, familiares, conhecidos e demais (possíveis) leitores,

Diz a sabedoria popular que “não há duas sem três” e esta expressão aplica-se, tal qual luva, a esta mensagem de Natal que, à semelhança dos dois últimos anos, apenas é redigida na véspera deste dia tão importante para qualquer um de nós, mas em especial para os católicos – o dia de Natal. Não quero, porém, transmitir-vos a ideia de que estou a descriminar quem quer que seja, nem tão pouco afirmar que só esta religião é que importa, no entanto falo-vos da minha experiência e da religião que escolhi professar.

Sem mais demoras, passarei ao balanço anual que, como sabem, costumo anexar às palavras que vos dirijo, há alguns anos a esta parte.

Começo por referir que 2015 foi, novamente, um ano bastante rico ao nível de experiências profissionais, mas especialmente das pessoais, uma vez que tive consegui “agarrar” algumas oportunidades para renovar a minha Fé, em Cristo Jesus, que irá, dentro de poucas horas, (re)nascer – sim, eu sei que isto acontece, apenas, de forma simbólica e estou consciente que podem existir incoerências na data em que celebramos o nascimento de Jesus. Uma vez mais, tive a oportunidade de fazer um dos trechos finais d’O Caminho de Santiago, com um grupo de irmãos na Fé, que, com a sua experiência de vida, em muito me enriqueceram, como também tive a oportunidade de ir um pouco mais além até ao cabo de Finisterra, onde, durante a jornada, conheci várias pessoas extremamente especiais e que se tornaram, desde então, amigos que levo comigo para a vida – alusão à conhecida Balada da Despedida do V ano jurídico – e que me mostraram, uma vez mais, que por muito difícil que seja determinada etapa, há Alguém que olha por nós, em todos os momentos.

Outro dos momentos marcantes foi, sem dúvida, o Curso de Cristandade, experiência recente e que, uma vez mais, em momento bastante oportuno, reforçou a importância de Cristo, da sua mensagem e da Sua igreja, na minha vida – aproveito para deixar o repto aos que ainda não tiveram oportunidade de o fazer para que, sem medo algum, tenham a devida coragem para arriscar participar neste movimento que a Igreja coloca ao nosso dispor. Creio que não saíreis defraudados.

Existem alturas na nossa vida nas quais sentimos necessidade de algo mais, necessidade de nos desafiar e de sair da nossa zona de conforto. Foi isso que decidi fazer, recentemente, ao sair do meu trabalho, do meu país, aumentando assim a distância face à minha família, aos meus amigos, aos escuteiros…Já o disse e torno a dizê-lo: foi um acto de Fé! Não tenho outra forma de o explicar e, honestamente, só esta me basta.

Este vai ser o primeiro Natal longe de muitas pessoas que me são queridas, mas perto de uma Pessoa igualmente querida e especial; este vai ser o primeiro Natal em que não irei cear com a minha família mais próxima, como é o caso dos meus pais, irmã e avós Luz e Carlos; este vai ser o primeiro Natal que passo num país diferente do meu, com uma cultura e costumes um pouco diferentes daqueles aos quais estou habituado…Apesar de tudo isto, apesar de alguma dor e tristeza que queiram tomar posse do meu ser, há uma alegria muito maior que está presente – aliás duas – a primeira é que vim lutar por algo melhor, não só para mim e por mim, mas por aqueles que trago comigo no peito; a segunda é que o nascimento do meu Salvador, do nosso Salvador, está próximo e isso, meus caros, suplanta a maior das tristezas.

Feito o balanço, já é mais que tempo de me direccionar para Quem é a Estrela destes dias – Jesus Cristo.

Respeito, repito, respeito as tuas crenças, a tua Fé (ou ausência da mesma derivada das mais diversificadas situações), porém peço-te que sejas coerente (algo que é extremamente difícil de fazer e ao qual eu falho redonda e diariamente) contigo, com os outros, na tua vida, pois se o formos ou se, pelo menos, tivermos o desejo de o ser, creio que podemos fazer pequenas (grandes) coisas e, quiçá, fazer a diferença.

Se é algo fácil? Talvez, mas regra geral é sempre algo complicado…Colocarmo-nos ao serviço é desconcertante, inquieta-nos, mas todos sabemos o quão reconfortante e necessário é que o façamos. Se iremos tropeçar enquanto o tentamos fazer? Certamente e, em muitas ocasiões, iremos desmoralizar, roçar o chão, (erradamente) pensar que não é uma missão que está ao nosso alcance. Uma coisa vos garanto “…se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há-de passar; e nada vos será impossível. (c.f Mt 17, 20) “ e, acreditem, que até para ter Fé temos de contar com Jesus, com Deus, com o Espírito Santo.

Neste Natal (não só, mas também e de forma mais atenta) confia a Deus a tua vida, fala com Ele, sê seu amigo, pois “(…) tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis. (c.f. Mt 21, 22)” e não são precisas grandes palavras e grandes argumentos porque Ele bem sabe aquilo que precisamos. Recordem-se, porém, que o Seu tempo não é o nosso e isto, meus caros, nem sempre é fácil de aceitar, muito por causa da nossa condição humana.

Que neste Natal, o Senhor Jesus vos conceda todo um vasto conjunto de dons e graças, que vos inspirem a serem pessoas melhores, mais disponíveis, mais felizes, mais completas, mais realizadas; que neste Natal, o Espírito Santo vos ilumine e seja sempre uma Luz na qual podem (e devem) confiar e segundo a qual orientem a vossa vida; que neste Natal, a Virgem Maria, nossa Mãe, nos ensine a sermos humildes e a termos consciência da nossa fragilidade; que neste Natal, Deus, nosso Pai, nos infunda com o Seu infinito amor, se compadeça de nós e nos perdoe sempre as nossas falhas.

São estes os meus votos nesta época tão especial e marcante, na esperança de que se estendam por todo o 2016 que está “já aí”.

Jovens, termino, este ano, de forma diferente, deixando-vos um vídeo(1) feito por um amigo que, em tudo resume o que nunca nos devemos esquecer – é que, quando O colocamos nas nossas vidas, melhor dizendo, quando O colocamos no centro das nossas vidas, com humildade, coração contrito e disponível para O seu amor, se estivermos atentos, a nossa vida ganha um novo perfume, arrisco-me a dizer, inclusivamente, que a nossa vida ganha vida.

Do vosso,
Saul Vitorino

Data de escrita: 24/12/2015

(1) Vídeo de Natal

Mensagem de Natal 2014

Estimados familiares, amig@s, entidade patronal e companheiros de trabalho,

Longe da inspiração de outros anos e, curiosamente, à semelhança do ano transacto, só no dia de consoada é que consegui encontrar a disponibilidade necessária para a redacção desta mensagem de Natal, que muito me orgulho de escrever e partilhar – mesmo que a sua relativa “qualidade” possa ser inferior à de outros anos.

Antes de vos endereçar quaisquer tipo de votos, permitam-me que faça o meu balanço deste ano.

Começo por dizer-vos que este ano foi de desafios, de provações, de excelentes momentos, mas também de algumas tristezas. Apesar disso, acredito que grande parte das opções foram conscientes e, mesmo acarretando as devidas consequências, creio que evoluí, de forma positiva, em múltiplos aspectos, no presente ano. Guardo, principalmente, junto do meu coração, o processo de procura do primeiro emprego – que, embora moroso, acabou por dar frutos , a minha formação de dirigente – que foi capaz de me dotar de mais ferramentas para o singelo contributo que posso/poderei dar aos escuteiros do 1215 Tavarede (e a tantos outros, se assim for necessário) –, o segundo Caminho de Santiago – com um grupo de Pessoas que, embora de idades e experiências de vida muito diferentes, conseguir tornar-se homogéneo e que em muito contribuiu para um necessário recuperar de energias, da minha parte –, os primeiros meses no local de trabalho – onde posso demonstrar o meu valor, como pessoa e profissional, e onde posso e quero evoluir, para o bem comum, para o bem maior – e, por fim (embora houvessem muitos outros momentos dignos de registo), o temporário afastamento de uma parte de mim – tanto a nível físico, como espiritual.

Indo, agora, ao encontro do verdadeiro protagonista (que sem o querer

ser o é – e ainda bem para todos nós): Jesus volta a nascer, de forma simbólica, nesta noite que se avizinha. Ele é, indubitavelmente, a razão pela qual escrevo esta mensagem, para a todos lembrar (a mim também), crentes ou não, que, de facto, Jesus de Nazaré nasceu, cresceu, morreu – mataram-no, em boa verdade – mas mais importante do que isso Ele ressuscitou.

Pode parecer estranho falar em Ressurreição no Natal, quando comemoramos o nascimento d’Ele, mas hoje transmitiram-me um ponto de vista que merece ser, na minha opinião, partilhado: “Só conseguimos compreender o Natal, se o olharmos com olhos de Páscoa” e “contemplando a essência do presépio” (confesso que fiquei muito pensativo ao ouvir estas palavras, mas fiquei, de certa forma, reconfortado e cheio de alegria por, de alguma forma, compreender o verdadeiro sentido por detrás deste pensamento. De facto, ao olhar o presépio, em silêncio, durante alguns minutos – note-se que existe uma grande importância no acto de contemplar e de tomar consciência da representação da realidade que está à nossa frente e que constitui um exercício complexo e que, se me permitem, vos sugiro que tentem fazer é fácil apercebermo-nos da humildade, da pobreza – mas grande riqueza –, da simplicidade com que Jesus se fez homem e que a todos enche os corações de alegria, de paz, de caridade)

Embora a nossa Fé seja sempre pequena e intermitente, creio que cada cristão se interroga, por vezes, da essência destas duas festividades – as principais da Igreja Católica.

No Natal comemoramos o nascimento do Salvador, aquele que, por mim e por ti, morreu na cruz, para a todos salvar, sem excepção. Não é fácil aceitar ou até compreender esta realidade (pelo menos, para mim), de qualquer modo, creio que só com disponibilidade física e mental é que podemos compreender os desígnios de Deus e a mensagem que o Seu filho nos deixou.

Na Páscoa comemoramos a morte e Ressurreição de Jesus, que nos dá a certeza de que, por muitas asneiras, vulgo pecados, que façamos, há sempre hipótese de nos reconciliarmos, de aderirmos ao amor e perdão de Deus, e ao

seu plano de felicidade que tem para todos nós.

Muitos se poderão questionar: então e a pobreza? A fome? As injustiças? Onde anda Deus na minha vida? Todas estas questões são válidas mas permitam-me, de uma forma simples mas que exige muito de cada um de nós dizer-vos o seguinte: Deus criou-nos livres e respeita essa nossa liberdade; Deus não impõe nada, embora sugira. Como sabeis, em todo o lado, em todo o mundo, existem pessoas com maldade, capazes de “não olhar aos meios para atingir os fins”; existe o mal que nasce dentro dos nossos corações e que se manifesta de muitas formas; existe a falta de humildade; existe o rancor, a sede de vingança, a necessidade de ignorar o próximo para que possa conquistar o meu bem-estarPor outro lado, se nós o permitirmos e, em certa forma, deixarmos que Deus entre na nossa vida, ao invocarmos e recebermos o Espírito Santo, nomeadamente através da reconciliação, começamos a olhar o mundo “como Ele o vê”, isto é, começamos a sentir paz, começamos a compreender a importância do perdão, do amor verdadeiro, do serviço, da partilha fraterna, da importância da oração.

Caríssimos, confesso-vos que sou um pecador consciente e persistente, longe do ideal de santidade, mas que, aos poucos, com Fé, vai sabendo entregar a sua vida, nos bons e maus momentos, Àquele que tudo pode, Àquele que hoje nasce, Àquele que tudo criou e cria, mas acima de tudo, Àquele que está sempre connosco, mesmo que não o vejamos, mesmo que não o sintamos, mesmo que não o compreendamos.

Saibamos acolher, como Ele o disse várias vezes, sem medo (c.f. Mt 14, 27) nos nossos corações, na nossa vida, no nosso trabalho, o nosso Amigo e Senhor Jesus, conscientes de que, embora tenhamos de carregar a nossa cruz, isto é, viver a vida com tudo o que ela abarca, desde as vicissitudes aos momentos que ficam gravados na nossa alma e no nosso coração. Saibamos, também, compadecer-nos dos que sofrem, procurar tomar consciência da nossa fragilidade e da nossa condição humana, acreditar que Jesus veio para a todos salvar, não só nesta altura festiva, mas durante todos os dias do ano,

durante a nossa efémera passagem por aqui (que espero que dure longos anos).

Assim, desejo a todos vós um Natal vivido na humildade, junto de todos aqueles que são especiais, sejam eles familiares, cônjuges, amig@s ou conhecidos, lembrando que é por Ele que nos reunimos, mesmo que imperem os bons valores, que certamente nos foram transmitidos pelas nossas famílias e, possivelmente, pelo processo educativo do qual somos alvo. Espero, do fundo do meu coração, que o vosso Natal seja celebrado com os olhos e coração em Jesus, e creio que se assim o fizerdes ireis ganhar em felicidade, em paz e em capacidade de perdoar e em amor verdadeiro – aquele amor que Ele(s) têm por nós.

Por fim, em jeito de conclusão, endereço-vos, também, votos de um excelente 2015, com estabilidade ao nível pessoal, laboral, familiar ou outro(s), por forma a que, conscientes do que nos rodeia e com Fé, saibamos viver e não sobreviver, em tempos que podem continuar difíceis, mas nos quais não estamos, certamente, sozinhos.

Que Deus vos abençoe a todos e vos permita abraçar e ver em Cristo o ideal de Homem-Novo a seguir e a imitar.

Do vosso,
Saul Vitorino

Data de Escrita: 24/12/2014

Mensagem de Natal 2013

Mensagem de Natal 2013

Caros amig@s, familiares e demais conhecidos,

Um pouco diferente do costume, já que esta mensagem costuma estar redigida antes da véspera de Natal, não foi por esquecimento, mas sim por outras tarefas e andanças que ainda não tinha redigido esta que é a sexta mensagem deste tipo.

Como todos sabem, este foi um ano de dificuldades acrescidas, principalmente a nível económico, tendo em conta o actual estado do país. Apesar disso, dou graças a Deus pois, felizmente, não passei qualquer tipo de privações. No entanto existirão pessoas, quem sabe algumas bem próximas, que não tiveram a mesma sorte.

Mas, como dizia a canção dos Rio Grande, “falemos de coisas bem melhores”! Nesta fase do ano, opto por fazer um balanço de tudo aquilo que foi o ano transacto e também começo a pensar quais os projectos que irei continuar, quais aqueles que vou abraçar e quais irei deixar de participar, de forma consciente.

Confesso-vos que foi um ano muito irregular, com inúmeras nuances, tanto extremamente positivas, como por oposição, bastante negativas. Foram algumas as lições de vida que retirei, outras que consegui transmitir. Foram alguns os sentimentos de injustiça e de impotência, mas também existiram momentos em que o amor e o perdão falaram mais alto descobrindo-se alguma Paz.

Houve, apesar disto, um esforço maior para me aproximar d’Aquele em que acredito, d’Aquele que nos escuta e nos conhece o coração, o nosso íntimo – embora, até aqui, tenham existido momentos de turbulência, de pouca fé, de desconfiança, de afastamento.

É com estas turbulências, com estas quedas, com estas feridas e marcas, que somos convidados a viver o Advento, tempo de preparação para vinda de Cristo Jesus. Vais deixá-Lo entrar no teu coração? O que fizeste tu para O acolher? Estás disposto(a) a que Ele comece a fazer parte da tua vida e a conduzir-te? Acreditas n’Ele? Tens Fé?

Estas são apenas algumas questões de muito difícil resposta, mas que certamente têm o poder de nos fazer (re)pensar a nossa vida, na multiplicidade de dimensões que a constituem.

Por outro lado, em conversa com um amigo, discutíamos a hipocrisia que, de alguma forma, caracteriza esta época natalícia, em que movidos por diversos interesses, somos quase que forçados a dirigir os nossos votos de boas festas, apenas porque assim mandam as regras, esquecendo-nos, em seguida, que existem mais dias no ano. De facto, existe alguma razão neste pensamento, sendo este um possível verso da moeda.

Apesar disto, creio que independentemente de ser uma realidade para muitos, os valores do amor, da caridade, do perdão, do interesse e preocupação fraternos, do verdadeiro sentido do Natal – o nascimento de Cristo Jesus – é capaz de suplantar esta falsidade, este interesse pútrido no irmão a quem desejamos “Boas Natal!”.

É este nascimento, em que Ele se torna Homem no meio de nós, fazendo-se pequeno, mas sempre justo, coerente, íntegro, com uma capacidade de amar e perdoar o próximo, que Jesus veio mudar o mundo, contribuindo para que se tornasse um pouco melhor, com todo um conjunto de valores que devem orientar as nossas vidas passageiras.

Neste – e nos outros natais – somos convidados a receber e acolher este Cristo, pedindo-Lhe que ilumine as nossas vidas, que nos permita ser como Ele, sabendo que na nossa pequenez, na nossa humilhação, nos tornaremos verdadeiramente grandes, nos nossos corações, pois só um coração que ama e sabe perdoar, poderá atingir a Paz e Felicidade Eternas.

Saibamos estar mais atentos aos que nos rodeiam, mas também a nós mesmos; saibamos silenciar o nosso íntimo, para nos podermos escutar e conhecer melhor, não só nesta época festiva, mas também durante todo o ano; saibamos confiar uns nos outros, com a intenção de nos conhecermos, de convivermos, de sermos verdadeiramente irmãos.

Assim, em meu nome, desejo a todos os familiares, amigos, (des)conhecidos e professores um Santo Natal, na presença de todos aqueles que continuam, fisicamente, connosco, relembrando aqueles que já olham por nós, tal como Ele o faz. Que o (re)nascimento de Jesus torne os nossos corações empedernidos em corações de carne, atentos, vigilantes, capazes de dar testemunho e confiantes que Ele vêm para nos salvar, para nos ajudar e acompanhar todos os dias na nossa vida, sabendo que o tempo d’Ele é diferente do nosso. Que, pelo simples facto de nem sempre sabermos aceitar esse Seu tempo, Ele nos dê a força de, renovados e fortalecidos na Fé, compreendermos os Seus desígnios, sabendo entregar-Lhe e dar-Lhe graças pelos nossos sorrisos, mas também pelas nossas lágrimas.

Por fim, permitam-me que vos enderece votos de um Próspero ano de 2014, sinónimo de mudanças, novos desafios, mas também de responsabilidades que transitam deste ano que está perto do fim. Que, conscientes dos múltiplos ciclos da vida, saibamos ver os sinais e setas amarelas, sabendo lutar por aquilo em que acreditamos, conhecedores das nossas limitações e transformando-as em valências, porque em muitas situações, mesmo quando estamos a perder, saímos a ganhar.

 

Do vosso,

Saul Vitorino

 

Data de Escrita: 24/12/2013

Fim do mundo? Não…É Natal!

Fim do mundo? Não…É Natal!

Este ano opto por alterar, ligeiramente, a estrutura desta mensagem, sendo que não irei fazer qualquer balanço do meu ano, porque há factores que me impedem de o fazer, em consciência.

Começo, então, por explicar este título – que, se repararmos bem, é autoexplicativo. 2012 é o ano em que, segundo as profecias Maias e outras que tais, o mundo irá acabar. Aliás, o dia para que está marcado tal cataclismo é, precisamente, hoje, dia 21 de Dezembro. No entanto, acho que não há necessidade de alarmismos, porque a única certeza que temos, enquanto estamos vivos, é que haveremos de perecer, um dia – logo, que o mundo acaba para nós, nesse mesmo dia.

Apesar disto, este “evento” serve para nos lembrar dos múltiplos “fins” e “(re)inícios” que temos durante a nossa vida terrena, das múltiplas oportunidades que temos para alcançar mais sucesso na vida – porque todos temos sucesso, mesmo que não o consigamos ver – e para nos lembrarmos que se caímos é para nos levantarmos.

Neste tempo de advento – preparação para o Natal – nem sempre conseguimos distanciar-nos daquilo que fomos durante todo o ano, pessoas atarefadas, sem tempo para o próximo, muitas vezes sem tempo para nós mesmos. À semelhança da Quaresma, este deve ser um tempo de reflexão e de oração – para aqueles que sentem necessidade de rezar, de falar com Deus como se fala com um amigo, e mesmo para aqueles que, sem saberem – ou por não quererem saber – ignoram os muitos sinais que lhes são dados. Sei que é difícil acreditar em algo que não se vê, em algo que, para se sentir, se necessita de uma árdua caminhada, mas não é o que nos dá luta, o que é custoso, que nos dá mais alento, quando se conquista?

O ano passado, em documento semelhante a este, falei-vos do perdão. Não só sinto que é importante recordar essa mensagem, como também reforçá-la. A importância do perdão, nas nossas vidas, é elemento fundamental para que possamos prosseguir, sem ódios, rancores, medos, e outros sentimentos ou sensações que todos conhecemos, que nos deixam cabisbaixos, irritados, que, em última análise, nos fazem perder a razão – e nada justifica o facto de, ao perdermos essa razão, reagirmos de formas que em nada são meritórias desse mesmo perdão. Sinceramente, penso que devemos perdoar ao próximo aquilo que ele nos faz, mas antes disso, devemos ser capazes de nos perdoar a nós mesmos – o que constitui uma tarefa extremamente dura e desgastante.

Outro ponto de reflexão, relacionado com isto, é o facto de nos termos de contentar com aquilo que temos – seja material, físico, psicológico – não que isto implique colocarmo-nos “à sombra da bananeira”, não lutarmos por sermos mais e melhores, mas devemos, efectivamente, começar a dar graças por aquilo que temos, porque comparativamente a tantos outros, somos extremamente ricos e só damos valor ao que temos, quando deixamos de o ter.

Para que possamos contentar-nos, devemos colocar-nos no lugar do outro, para tentar percebermos a sua forma de pensar, a forma de agir, o porquê de determinadas (re)acções. Lutemos por aquilo em que acreditamos, pela verdade, pela esperança, pela honestidade, pelo compromisso, pelos valores que Cristo nos ensinou, através das suas acções e palavras, através dos nossos pais e amigos – no qual ele se manifesta muitas vezes.

Enquanto vivemos, apercebemo-nos que as coisas acontecem por alguma razão, que desconhecemos, mas que acontecem. Ultimamente, eu próprio, tenho assistido a muitas coisas dessas, tanto na minha vida, como na vida dos outros. Apesar disto, não sinto que sejam coincidências mas, como disse um amigo meu, em curso Alpha, são “Deuscidências”.

Acreditas em milagres? Eu acredito, tenho fé e sinto-me bem com isso. Acredito, principalmente,  no milagre do Natal  – atenção que os milagres, ao contrário do que muitos possam pensar, não são coisas necessariamente grandiosas, mas coisas que acontecem no tempo de Deus, a todos nós e àqueles que nos rodeiam. E tu, acreditas no milagre do Natal? E nos outros? – nas pequenas grandes “deuscidências” que nos acontecem e às quais, quando pensamos e reflectimos nelas, reagimos de formas como “Epa, pois é!”, “Curioso, nem tinha pensado nisso”?

Muitos são os que nos tocam o coração, mas poucos são os que nos tocam a alma – isto encontra-se reservado para a família, que não escolhemos e que tantas vezes não compreendemos; para os amigos verdadeiros, aqueles que não traem a nossa confiança e que preferem ver-nos chorar com a dureza da verdade, do que a sorrir com a delicadeza da mentira; para aqueles que possuem, em determinado momento, durante a vida, a chamada “outra metade” de nós.

Que Deus vos dê forças e vos renove em Cristo recém-nascido, nesta época natalícia. Que saibamos dar graças pelas pequenas coisas da vida, pelos detalhes, mas que também saibamos olhar para o próximo, de forma a observarmos, que saibamos estar calados, para os escutarmos, e que saibamos dirigir-lhes a palavra, para não os ignorarmos.

Assim sendo, em meu nome, desejo a todos – amigos, familiares, (des)conhecidos, professores – um feliz Natal, em conjunto com todos aqueles que vos são especiais, aproveitando esta época para estarmos mais atentos a valores, nomeadamente, à partilha.

Por fim, desejo-vos duas coisas, a primeira é que 2012 termine da forma como começou, em festa e com alegria, a segunda é que 2013 seja um ano que, apesar dos já malfadados anúncios de crise económica, vos possa aproximar da família, dos amigos, de uma progressão na vida profissional. Que, este novo ano, traga esperança a todos nós e momentos dignos de serem recordados.

Autoria: Saul Vitorino

Data de Escrita: 21/12/2012

O Natal 2011

O Natal 2011

Várias vezes ouvimos o dito popular “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita!” No entanto, aos olhos de Deus é o inverso o que se verifica, já que Ele “escreve direito, por linhas tortas”. Curiosas estas duas situações com que começo a já tradicional mensagem de Natal a que vos – e me – habituei.

Começo por realizar uma introspectiva, à semelhança da mensagem que antecedeu esta, por considerar pertinente todo o conjunjo de factores que possibilitou que esta tradição não fosse quebrada. Continuei a andar perdido no que à escrita diz respeito, mas desta vez, por força das circunstâncias libertei-me. Coloquei de parte medos e receios e voltei a fazer algo que me fazia – e faz – bastante feliz e que me “preenche as medidas”, como se costuma dizer! Não percebi o porquê de, subitamente, voltar ao activo, mas lembro-me de ter pedido a alguém, várias vezes, que me ajudasse a libertar do fantasma do passado.

Aos poucos, o final do ano foi-se avizinhando e algumas das respostas que procurava foram sendo dadas, de forma muito subtil, por Ele. Recordo algumas situações, nomeadamente os dias 4, 14 e 18 do corrente mês de Dezembro. Em todos estes dias procurava essas respostas e foi em pequenos gestos, em pequenos “acasos” que as encontrei. Posso não ter percebido, imediatamente o porquê, o como, mas agora, passados alguns dias, compreendo. Foi Ele quem me deu as respostas, de forma muito subtil…afinal é assim que Deus fala connosco, umas vezes em sonhos outras vezes quando estamos plenamente acordados.

A situação mais marcante foi, indubitavelmente, uma breve passagem bíblica que diz o seguinte: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Tais palavras revelam o sentido do Natal, na minha óptica…

Aquando da preparação da vinda de Jesus ao mundo e durante toda a sua vida, ele quis-nos deixar o maior valor de todos – a paz! Uma paz diferente, a “sua paz” e não aquela que se encontra “ao virar da esquina”. Não há que ter medo desta mensagem, desta paz que Ele nos quer transmitir – por isso nos sugere que não tenhamos medo e que saibamos recebê-la. Uma segunda, entre muitas interpretações possíveis, é a de que sempre que tivermos o coração aberto, receptivo, Ele falará connosco e ajudar-nos-á a encontrar o caminho da Luz.

O (re)nascimento de Cristo está, mais uma vez aqui…O que fizemos para o receber? Que preparações realizámos para ter o nosso coração em paz? Será que “Deus se vai lembrar de me ajudar, será que sim?” Será que fomos capazes de aceitar e conviver com as nossas responsabilidades, não nos acobardando nas facilidades que se entrepuseram no nosso caminho? Não posso, certamente, responder a estas perguntas, mas pelo que aconteceu comigo, tenho a certeza que o resultado final, e o mais importante, na minha humilde opinião, é que Ele não se esquece de nenhum de nós e quando menos esperarmos ele vai estar ali – e aqui também!

Para os que não acreditem estas podem ser apenas palavras interligadas de forma a construir um texto, coeso e coerente, cuja mensagem se resume a “este rapaz escreveu aqui umas coisas engraçadas, nomeadamente o feliz natal e próspero ano novo”. A esses gostaria de lançar um apelo…Façam um esforço para acreditar…se mesmo assim não o quiserem fazer, olhem e cuidem da vossa família, dos vossos amigos, dos vossos conhecidos, daquele que está próximo de vós. Talvez estes valores vos consigam penetrar o coração e mostrar que o acaso pode ter um nome: Deus

Para os que acreditam, não deixem de o fazer! Continuem de coração impávido e sereno para o conseguirem escutar, afinal “Deus está aqui!, Aleluia!” Cristo veio para nos transmitir valores, valores essenciais como o amor e o perdão. Saibamos perdoar e amar os que nos rodeiam…Existem gestos tão simples que podem tomar uma dimensão tão grande…

Com isto, em meu nome, venho desejar a todos vós (amigos, familiares, conhecidos e professores) uma quadra natalícia feliz, na presença de todos aqueles que “ainda cá estão”, nunca esquecendo aqueles que, por alguma razão, já nos abandonaram em corpo, mas que continuam entre nós, em espírito.

Desejo, ainda, um bom ano de 2012 e que, apesar de ser um filme, em alta definição, de uma conjuntura sem precedentes, consiga trazer aquilo que 2011 não trouxe – conjunto de valores que tornem esta nossa sociedade menos egoísta!

Autor: Saul Vitorino

Data de escrita: 23/12/2011

Natal 2010

Provavelmente muitos de vós devem ter pensado que me havia esquecido de redigir a já tradicional mensagem de Natal, que tanto gosto de escrever.

Estou aqui para vos dizer: “Enganam-se”! Se há coisa da qual não me olvidei, foi o facto de ter de escrever esta mesma mensagem.

Começo por dizer que este ano, no que à escrita diz respeito, foi um ano relativamente pobre para mim…senti-me desligado das palavras, desmotivado, empedernido…senti que lhe perdi o jeito, se é que alguma vez tive algum. Infelizmente, a certa altura do ano também me senti desligado das pessoas.

Normalmente defendo duas coisas das quais me fui apercebendo ao longo da minha vida…Existem três coisas capazes de unir as pessoas…A morte, o amor e o Natal.

A morte é apontada por muitos como um grave problema, um daqueles capazes de despedaçar corações, destruir famílias, arrasar vidas por completo…No entanto, a morte é capaz de unir as pessoas, unir quem está, por alguma razão, profundamente magoado com outra, quem já há muito não se fala, quem é capaz de, infelizmente, desejar a morte ao seu semelhante. Em suma, a morte une-nos na tristeza.

O amor é, opostamente à morte, referido com um dos mais belos sentimentos do mundo, o sentimento capaz de nos deixar leves, felizes, capazes de dar, dar e dar, sem nada querer receber…O amor é o responsável por muita da felicidade que ainda teima em existir no mundo. Lembra-te “faz a paz, escolhe o amor para o mundo ser melhor”! Em suma, o amor une-nos na felicidade.

Por fim, mas não por ser o menos importante, o Natal é capaz de enternecer, sem qualquer tipo de distinção ricos e pobres, afortunados e desafortunados, pessoas que muito têm e outras que, infelizmente, pouco ou nada possuem…

Uma ideia errada que ainda hoje se tente perpetuar é que o Natal são apenas umas horas, umas meras 24 horas. No entanto, permitam-me desenganar-vos pois o Natal não precisa de ser o dia 25 de Dezembro, pois desde que me consigo recordar sempre ouvi dizer “O Natal é quando o Homem quer”. Todos os dias da nossa vida devemos e podemos celebrar o Natal, seja sorrindo a um amigo, seja ajudando um pedinte na rua, seja não ignorando o próximo…Afinal, quando ajudamos os outros estamos a ajudar-nos a nós mesmos, e nada melhor do que sentirmo-nos bem connosco e com quem nos rodeia. Em suma o Natal une-nos a Cristo.

Simbolicamente Cristo renasce todos os anos, da mesma maneira que é, posteriormente crucificado. Ainda simbolicamente, Cristo representa a alegria, a vontade de amar, a felicidade, o amor, a partilha, a coragem…Cristo representa o bem que existe no nosso mundo, que apesar de corrompido, continua a ter mais de belo que o que imaginamos. Não devem esquecer-se de que Cristo nasceu para trazer a esperança ao mundo e também para trazer o perdão…Desta vez, passados 2010 anos, sou eu que peço…perdoa o próximo, perdoa aqueles que te magoaram, não apenas no dia 25, mas também nos restantes 364 ou 365 dias do ano.

Depois desta breve reflexão chega a altura de contrabalançarmos o que se passou durante este ano que começa a chegar ao fim. O que consegui fazer? Será que me esforcei? Consegui atingir os meus objectivos? Fui um bom cidadão? Fui um bom amigo? Pai? Irmão? Mãe? Filha? Será que cresci como pessoa? É certo que são muitas interrogações e estou convicto que muitas mais se levantam. No entanto, cabe a cada um de nós encontrar as respostas a estas e às demais perguntas.

Por fim, em meu nome, venho desejar a todos vós (amigos, conhecidos, familiares, professores) um santo e feliz Natal, na presença de todos aqueles que felizmente ainda se encontram entre vós e por quem nutrem um carinho especial.

Termino com os votos de um 2011 com a saúde, amizade, paz e amor. Que, à semelhança de outros anos, 2011 traga o 2010 foi incapaz de trazer.

Autor: Saul Vitorino

Data de Escrita: 24/12/2010