Final de uma etapa!

Familiares e amigos,

Como muitos de vocês sabem, durante cerca de dois anos, estive a realizar o mestrado em Comunicação Multimédia, ministrado na Universidade de Aveiro. Felizmente, alguns acompanharam-me de perto, outros de mais longe, mas nunca deixaram de acreditar em mim algo que, permitam-me o desabafo, eu deixei de fazer a certa altura do percurso.

Poderia ter sido um caminho bem menos sinuoso, mas sou daqueles que acredita na razão das coisas, no “acontece com um sentido, mesmo que não o consigamos captar, a priori” ou ainda no “é necessário aprendermos com os nossos erros”.

Foram algumas as vezes que pensei em desistir, em segredo, e outras  em que algumas pessoas ficaram a saber dessa possível decisão. No entanto, no meu íntimo, sempre soube que iria e que teria de levar este compromisso até ao fim pois sou daqueles que quando se envolve num projecto assumo-o e esforço-me por levá-lo até ao fim. Afinal “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos” e eu fui, de alguma forma, escolhido para me envolver e terminar este empreendimento.

Despertei tarde, admito-o, mas soube entregá-lo a tempo, embora tivesse ponderado desistir do mestrado, ao não apresentar qualquer documento, e podia tê-lo feito, felizmente soube acordar, soube “dar corda aos sapatos” e tudo culminou com o dia de ontem, 9 de Dezembro de 2013, dia em que realizei a defesa pública da minha dissertação.

Confesso-vos, também, que não me recordo de um dia em que me tenha sentido tão sob pressão mas em simultâneo tenha conseguido corresponder tão firmemente à altura do desafio que as circunstâncias impuseram. Foi um longo período de observações e respostas, de explanação de ideias que não estavam tão claras quanto o pensava e desejava, mas soube sair de cabeça erguida.

Perto do encerramento da sessão de defesa, foi-me dada a palavra e após fazer um balanço de todo o processo referi a seguinte frase “Se caímos 8 vezes temos que nos levantar 9, e é por isso que aqui estou”.

Certamente existem lições que levamos para a vida e esta foi uma delas, já que fico com um sabor agridoce na boca. Por um lado, impera o sabor de vinagre, pois sinto que me desiludi a mim próprio, que não fui capaz de alcançar a classificação que desejaria e só posso imputar responsabilidades a uma pessoa – a mim; por outro lado, fica o sabor de um pedaço de algodão doce, que se vai desfazendo suavemente na boca, pelas pessoas que estiveram presentes, pelas palavras de apoio, pelas marcas que deixaram no meu coração, e que suavizam qualquer crítica construtiva, qualquer momento menos agradável.

São muitas as pessoas que marcaram e marcam, constantemente, o meu percurso académico, a minha vida. Sei que sem elas não teria chegado tão longe, mas ao mesmo tempo e com tanto caminho para percorrer, sei que tenho de manter a ambição e vontade de chegar cada vez mais longe.

Quero agradecer, primeiramente, aos meus pais, irmã e restante família, presente em corpo ou espírito, por todo o processo de transmissão de valores e educação ao longo de 23 anos de vida.

Seguidamente, quero agradecer a todos os amigos dignos dessa distinção, aqueles que considero família e que têm sempre lugar no coração.

Em terceiro lugar, desejo agradecer aos colegas de mestrado, aos que já defenderam com sucesso, aos que ainda vão defender, àqueles que decidiram seguir outros rumos, por todo o carinho, apoio e paciência que tiveram comigo.

Aos elementos do Pneuma e aos caminhantes de Santiago, por me permitirem renascer, tanto na vida pessoal como espiritual, sendo que ambos os desafios lançados e caminhos percorridos são responsáveis pela finalização deste capítulo.

Por fim, a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a pessoa que sou, para os erros que cometi e com os quais aprendi, sendo que mesmo aqueles que me tentaram derrubar me ensinaram que, ao perdermos, saímos sempre a ganhar.

Retomando, ainda, o final do dia, durante a viagem de regresso, vim muito pensativo, pois estava esgotado mental e fisicamente, pois a noite não fora muito bem dormida, tendo em conta o nervosismo típico destas situações.

Em seguida, veio o jantar mais reservado para a família e amigos desta – sim, tenciono reunir-me com muitos de vós, se o tempo e o dinheiro assim o permitirem, não para comemorar, mas para recordar alguns momentos marcantes deste meu percurso de vida.

No final, de uma forma muito insistente, a minha irmã insistiu que dissesse algumas palavras. Honestamente não me recordo muito bem do que disse, mas sei que quando terminei, a quase totalidade dos elementos que estavam à mesa tinha os olhos vermelhos, alguns com lágrimas que ainda teimavam em escorrer pelas suas caras…Lembro-me de ter pensado: “Missão cumprida! Agora sim estou verdadeiramente feliz e sinto-me plenamente realizado. O dia de hoje pode terminar, pois estou em paz!

É nestas alturas que sinto um enorme orgulho em mim – perdoem-me a presunção, mas penso que não estou nem a ser mentiroso, nem a ferir qualquer tipo de susceptibilidade.

Agora? Agora vem a parte verdadeiramente difícil, mas a que sinto que será mais desafiante: a procura de trabalho. No entanto, antes disso, há que reencontrar o equilíbrio que se foi perdendo, há que reencontrar as setas amarelas, os convívios com os amigos e conhecidos, a vontade de crescer e de ser uma pessoa que além de formada academicamente, é formada civicamente – através dos valores que defende, da capacidade de amar e de perdoar e de viver com um sorriso para dar, capaz de contagiar aqueles que me rodeiam.

Um grande bem-haja a todos,

Do vosso,

Saul Vitorino

Escuta-te!

Escuta-te!

Perdido na mente, em pensamentos despidos,

Recordo um olhar e sentimos sofridos.

O coração que não se arrepende e que bate forte,

Abraços profundos, conversas sem norte.

 

A dor pode ser grande, assim como a tristeza,

Mas é olhos nos olhos que encontrarás a firmeza!

Segue o que sentes, ignora essas mentes.

Que tanto te confundem nos passados, futuros e presentes!

 

Escuta-te, escuta-te a ti mesmo!

Ouve o que queres dizer!

Escuta-te, escuta-te a ti mesmo!

Pois é o bem maior que irá vencer!

Tudo acontece por essa razão,

Desconhecida para muitos, menos para o coração.

 

Cenários óbvios ou incertos, algum deles se há-de revelar,

Basta que estejas atento e que os saibas procurar.

Não existe manual, regra a seguir,

Apenas tu sabes o que queres cumprir.

 

Amor não tem preço, conta, peso ou medida,

O que interessa é que lutes por aquela parte da vida,

Que te faz sorrir, chorar ou corar,

Faças o que fizeres, não desistas de amar!

 

Autoria: Saul Vitorino

Data de escrita: 02/10/2013

Tudo isto, tanto mais, nada disto, nada de mais.

Os motivos das nossas acções e preocupações nem sempre os conhecemos, mas agimos e lutamos por aquilo em que acreditamos. O objectivo principal consiste no alcançar de duas coisas: felicidade e plenitude. Conscientes porém de que isto não depende inteiramente de nós. Afinal, pode ser tudo isto e tanto mais, não ser nada disto, nada de mais. Dá que pensar, parece-me…

Autoria: Saul Vitorino

Data de Escrita: 25/09/2013

Quando agires!

Quando agires, quando falares, além de aproveitares os momentos, pensa que as palavras ferem, pensa que não és dono(a), nem senhor(a) da verdade absoluta, pensa que não deves julgar ou impor, porque, por muito que essas acções pouco ou nada signifiquem – para ti -, podem marcar, de modo profundo, a forma como vais olhar, dali em diante, para as pessoas, para os desafios da vida, para ti próprio(a) e a forma como olharão para ti.
Dá que pensar, parece-me…

Autoria: Saul Vitorino

Data de Escrita: 17/09/2013

Categoria “Dá que pensar…”

Hoje, 17 de Setembro de 2013, decidi criar uma nova categoria, neste meu espaço.

O intuito da mesma é a partilha de pequenas reflexões – se é que podem ser apelidadas de tal -, que me inquietem e que tenham sido criadas por mim. Por muita diferença que possamos ter, uns dos outros, existirão pontos de vista semelhantes, entre alguns de nós. Assim, espero, apenas, fazer pensar os leitores deste blog, não tendo qualquer intenção de plagiar ideias ou pensamentos.

Fica, abaixo, o primeiro elemento:

“São muitos os passados que marcam o presente e condicionam o futuro.
Muitas vezes nos questionamos: “Que culpa temos nós do passado”? A resposta parece óbvia: “Nenhuma!” No entanto, se analisarmos os factos, rapidamente percebemos que, depois de sermos presente e futuro, nos tornamos passado, logo, podemos ser os culpados dessas marcas, noutros presentes e futuros alheios…
Dá que pensar, parece-me…”

Autoria: Saul Vitorino

Data de escrita: 17/09/2013

 

Vidas vs. Pacman

Vidas vs. Pacman

Durante o dia de ontem, escutei uma das analogias que, na minha opinião, muito tem de relativo, mas que possui um grau de interesse elevado.

No meio dos dilemas da vida, essa que, por vezes, nos é madrasta, temos tendência a reflectir sobre as nossas falhas, sobre aquilo que deixámos de fazer ou aquilo que fizemos em demasia. Por outro lado, por entre tantas alegrias, percebemos como agir em determinadas circunstâncias, percebemos que não devemos de ter medo de demonstrar o que sentimos, independentemente daquilo e daqueles que estão diante de nós.

Ora, estas licções são, especialmente, úteis nos casos em que andamos perdidamente encontrados, em amores – ou desamores – por alguém.

Quantas vezes havemos de reagir, por impulso? Quantas vezes havemos de ponderar, pensar e repensar as opções que pretendemos tomar? Quantas vezes havemos de ser felizes, porém numa infelicidade interior que, ironicamente, nos bate à porta, resultado de passados que nos ajudaram a crescer? Quantas vezes, por outro lado, havemos de estar infelizes por não saber o que fazer, por nos sentirmos desamparadamente sós, por muito que nos queiram ajudar? Será que devemos, mesmo, como alguém sugeriu, abdicar da nossa felicidade, para que o outro seja feliz?

Vidas com interrogações são algo comum, pois cada um de nós, além de ter as suas, partilhadas ou não, pode optar por colocar ou retirar o crivo do seu coração, da sua mente e das múltiplas combinações que ambos produzem e albergam, em si próprios e em nós mesmos.

Muitos de vós, certamente, se recordarão desse arcade, de nome Pacman. Em que sentidos o podemos aplicar, às nossas vidas, é algo que pretendo desmistificar, em seguida.

Imaginemo-nos perante um coração resistente, purificado, vitima dos múltiplos flagelos que toda essa vida lhes incute e tomemo-lo como modelo, aplicando-lhe a lógica do jogo que referi, acima.

O nosso coração é constituído por todas as ‘bolas’, que o ‘boneco’ amarelo deve ingerir, desviando-se de outros elementos estranhos, para não perdermos o ‘nível’. Ora, isto pode aplicar-se a cada individuo, mas também àqueles que se partilham e que, em última instância, pretendem ser um só. Pode, igualmente, aplicar-se a essas opções que temos de tomar e, nas quais, decidimos se comemos as ‘bolas’, se fugimos dos ‘bichos-papões’ que nos assolam, ou se uma junção dos dois, que nos poderá levar, inclusivamente, a chegar ao ‘nível’ seguinte.

E, quando estamos presos num ‘nível’? Bem, como se devem recordar, existem as ‘bolas” maiores, que são as nossas ajudas, aquelas que nos fortalecem para ir atrás desses bichos, comendo-os, deixando-os, assim, temporariamente, fora do nosso caminho e que nos facilita a tarefa de comer os elementos mais pequenos. E as ‘frutas’? Essa ficarão de fora deste meu desabafo, porque não foram consideradas, na história que me foi contada.

Permitam-me que complique, um pouco, estas interpretações tão lineares, aplicando-lhes a dicotomia singular-plural e estabelecendo relação entre elas.

Qual o nosso papel? Somos as ‘bolas’ que vão ser comidas? Somos os ‘bichos-papões’ de alguém? Seremos, por ventura, as grandes ‘bolas’ capazes de tornar esses elementos mais vulneráveis? Ou será que nos está reservado o papel de pacman?

Independentemente do meu – e vosso – lugar, dos nossos conflitos, asseguro-vos que vos pode acontecer tornarem-se qualquer um destes elementos.

Pense-se, agora, que, enquanto pessoas que procuram o bem comum e maior, umas vezes seremos os responsáveis por consumir os elementos, que nos permitam alcançar um novo ‘nível’, sendo isso uma tarefa desgastante, para a pessoa consumida. Seremos capazes de nos deixarmos consumir? Não vai isso contra o princípio da felicidade, que todos queremos alcançar?

Será que somos capazes de utilizar uma dessas ajudas, sendo racionais e preocuparmo-nos connosco, talvez egoisticamente, perante uns, mas conscientes de que “já chega de sofrimento”, arriscando essa frontalidade que magoa, mas que é preferível a mentiras ou indeterminados adiamentos?

Vamos permitir “ser comidos” por essa outra pessoa, que pode estar cheia de boas intenções, já o ter demonstrado antes, mas que, por força de circunstâncias alheias e, eventualmente ocultas, e que podem não nos permitir discernir, de forma adequada, nos levem a pensar que esta acção é prejudicial para nós, arriscando não passar de ‘nível’?

Poderemos e deveremos ser perseverantes, tanto como pacman ou os ‘bichos-papões’, nunca desistindo desse objectivo final – que, para uns, é terminar o ‘nível’ e, para outros, dificultar que essa mesma etapa seja ultrapassada?

Qual a razão de todas estas analogias e o que contribuem para que possamos crescer, como pessoas dignas dos sentimentos que evidenciamos ou preferimos, por outro lado, esconder e/ou salvaguardar?

Caros, não possuo a resposta para nenhuma destas interrogações que coloquei, ao longo deste texto – se é que lho posso chamar – e tantas outras poderiam evidenciar-se, nesses múltiplos cenários imprevisíveis, que teimamos em prever. Como sabem, cada um deve ser igual a si próprio, ser fiel aos seus princípios e, se considerar válido e proveitoso, moldar-se às situações, adversas ou favoráveis, por forma a alcançar a já referida felicidade.

Procurem, no entanto, passar de ‘nível’, sempre que vos seja possível, pois assim irão crescer, à partida, um pouco mais. Alerto, apesar do acima, que não existe prejuízo algum em ficar nesse ‘nível’ que te atormenta, falhar e recomeçar, pois terás sempre desafios para enfrentar, uma vida para viver, pessoas para conhecer, escolhas para fazer.

Autoria: Saul Vitorino

Data de Escrita: 08/09/2013

Obrigado, amigo D.S., por esta valiosa licção de vida.

Parabéns, amigo Diogo Martins!

Amigo Diogo Martins,

Também já chega a hora de seres agraciado com uma mensagem destas.

Já nos conhecemos há alguns anos, muitos dos quais foram passados pelos escuteiros, outros em Leiria e, ainda, outros em plena Figueira da Foz. São, felizmente, bastantes os episódios que tenho na memória, de peripécias, grandes dias e noites, uma ou outra zaragata, enfim, momentos que nos ficam, agora, pelo coração.

É certo que a nossa amizade não se mede com palavras, mas sim com sorrisos – sejam eles causados por alguma coisa que não tem graça, aparentemente, nenhuma; sejam aqueles que foram originados por aqueles fogos de conselho bombásticos, que tivemos (em particular, aquele em que fizeste de tia do Tom Sawyer, com dois pães, “rijos como cornos”, mas que se revelaram dois seios muito eficazes), ou de “little birds”, em Leiria – seja com aqueles abraços fortes – dados naquelas alturas que mais precisamos, acompanhados de conselhos e puxões de orelhas que, volta e meia, temos mas não queremos ouvir – ou mesmo através da distância e momentos em que não estamos, fisicamente, presentes – como é meu costume, no teu dia de anos. Infelizmente, ainda não é este ano que poderei estar ao teu lado, bom amigo.

Honestamente, admiro a tua capacidade de, olhando para uma fotografia, traçares um perfil, muito próximo da realidade, das pessoas que te rodeiam – ou daquelas que gostarias que te rodeassem.

Não podendo estar contigo, como já disse acima, tanto hoje, como no Sábado, serve esta mensagem para te desejar os parabéns. Que estes 23 anos sejam sinónimo de experiência de vida, de objectivos a cumprir e cumpridos, de novas amizades e de muito trabalho remunerado, de algumas noites sem dormir, de dias em que andes bem-disposto e te sintas capaz de mover montanhas.

Um grande abraço,

Do amigo,

Saul Vitorino

Data de Escrita: 23/04/2013